Ilustração da Casa da Família Abraâmica a ser construída na ilha Saadiyat, em Abu Dhabi, projeto elaborado pelo mundialmente conhecido arquiteto Sir David Adjaye OBE, em setembro de 2019.
Nas vésperas de uma nova viagem papal ao Oriente - o Papa Francisco visita a Tailândia e o Japão de 19 a 26 de novembro - na insígnia do diálogo inter-religioso e da paz, um agradecimento e a entrega como presente da escultura da oliveira concluíram no sábado 16 de novembro, no Vaticano, a audiência do papa Francisco com o imã sunita Ahmad al-Tayyeb, da Universidade de Al-Azhar, no que foi o seu quarto encontro com o sucessor de Pedro.
«Esta é uma alegoria: a árvore da oliveira e a pomba são um símbolo da paz. A mensagem é: ‘Sejam mensageiros da paz’. Precisamos de trabalhar», disse o Papa Francisco, mostrando a edição do Documento sobre a Fraternidade Humana assinado em Abu Dhabi e indicando a capa do texto que os retratava juntos.
O diálogo inter-religioso e o impulso em prol paz num mundo fragmentado pelo ódio e pelos extremismos religiosos foram os temas abordados nos quinze minutos de audiência à porta fechada, relembrando a viagem papal aos Emirados.
Durante as "conversas cordiais" relatadas pela Sala de Imprensa do Vaticano, também foi mencionado o "tema da proteção dos menores no mundo digital" e as iniciativas implementadas pelo Comité Superior da Fraternidade Humana desde sua fundação em agosto passado.
O Papa também recebeu o projeto de uma casa inter-religiosa em Abu Dhabi que abrigará uma mesquita, uma sinagoga e uma igreja dedicada a São Francisco de Assis.
Ontem foi o primeiro encontro entre Francisco e o líder sunita após a histórica viagem papal em fevereiro passado aos Emirados Árabes Unidos, selada pela assinatura em Abu Dhabi da "Declaração sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e a convivência comum", a declaração de intenções conjuntas concebida como um convite para todos os crentes colaborarem para uma cultura de respeito e paz.
Entre Ahmad al-Tayyeb, imã de Al-Azhar (o respeitado centro teológico sunita do Cairo), e o Papa Francisco há muito tempo que se estabeleceu uma relação pessoal amigável. Isso já havia sido visto com a visita de Al Tayeb ao Vaticano em 23 de maio de 2016, onde o imã havia ressaltado o grande significado daquele novo encontro após anos de crise, no quadro do diálogo entre a Igreja Católica e o Islão. Eles centraram-se no tema do empenho comum das autoridades e dos fiéis das grandes religiões pela paz mundial, a rejeição da violência e do terrorismo, a situação dos cristãos no contexto de conflitos e tensões no Médio Oriente e a sua proteção.
Encontraram-se novamente na visita do papa ao Cairo em 29 de abril de 2017, onde o Papa fez uma intervenção ao lado de al-Tayyeb na Conferência Internacional pela Paz, organizada pelo centro académico sunita de Al-Azhar, que abordou o tema o papel dos líderes religiosos no combate ao terrorismo e para a obra de consolidação dos princípios de cidadania e integração, exigindo que uma urgência educacional seja considerada para a formação.
A Declaração de Abu Dhabi sobre a Fraternidade Humana, assinada em conjunto pelo Papa Francisco e pelo grande imã, foi, portanto, o resultado do diálogo pessoal entre os dois líderes e certamente marcou uma importante tentativa de restabelecer caminhos de partilha e proximidade entre batizados e muçulmanos, para o benefício de toda a família humana. Os dois co-signatários têm consciência disso, a julgar pela solicitude com que o bispo de Roma e o sheik Ahmed al-Tayyeb convidam a estudar o documento nas escolas, universidades e círculos políticos.
No voo de retorno de Abu Dhabi, o Papa Francisco, questionado sobre isso, respondeu: «O Documento foi preparado com muita reflexão e, inclusive, com oração. Tanto o grande imã quanto a sua equipa, como eu com a minha, oramos muito para ter êxito na elaboração desse Documento. Porque para mim existe apenas um grande perigo agora: a destruição, a guerra, o ódio entre nós. E se nós, crentes, não conseguirmos estender as nossas mãos, abraçar-nos, beijar-nos e até rezar, a nossa fé será derrotada. Esse Documento nasce da fé em Deus, que é o Pai de todos e Pai da paz e condena toda destruição, todo terrorismo.»
Stefania Falasca, em Avvenire

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