O psicólogo espanhol Alberto Soler estava a fazer compras no supermercado com os seus filhos gémeos. E ouviu o comentário de duas senhoras, que o elogiavam por estar assim a «ajudar» a sua mulher.
Soler estava com pressa, mordeu a língua e foi-se embora, mas ficou a pensar no que deveria ter dito. E foi isso que escreveu no seu blogue: https://www.albertosoler.es/YO NO AYUDO A MI MUJER CON LOS NIÑOS NI CON LAS TAREAS DE CASA
A publicação tornou-se viral e já foi vista por mais de três milhões de vezes.
"Um amigo veio a minha casa tomar café, e sentámos falando sobre a vida. A um certo ponto da conversa, eu disse: “Vou lavar os pratos e volto num instante”.
Ele olhou para mim como se eu lhe tivesse dito que ia construir uma nave espacial. Depois disse-me, com admiração mas um pouco perplexo: “Ainda bem que você ajuda a sua mulher; eu não ajudo porque quando eu faço alguma coisa a minha mulher não agradece. Ainda na semana passada lavei o chão e nem um obrigada.”
Voltei a sentar-me e expliquei-lhe que eu não “ajudo” a minha mulher. Na verdade, a minha mulher não necessita de ajuda, ela precisa é de um companheiro. Eu sou um sócio em casa e por via dessa sociedade as tarefas são divididas, mas não se trata certamente de uma “ajuda” com as tarefas de casa.
Eu não ajudo a minha mulher a limpar a casa porque eu também vivo aqui e é necessário que eu também a limpe.
Eu não ajudo a minha mulher a cozinhar porque eu também quero comer e é necessário que eu também cozinhe.
Eu não ajudo a minha mulher a lavar os pratos depois da refeição porque eu também uso esses pratos.
Eu não ajudo a minha mulher com os filhos porque eles também são meus filhos e é minha função ser pai deles.
Eu não ajudo a minha mulher a lavar, estender ou dobrar as roupas, porque a roupa também é minha e dos meus filhos.
Eu não sou uma ajuda em casa, eu sou parte da casa. E no que diz respeito a elogiar, perguntei ao meu amigo quando é que foi a última vez que, depois da sua mulher acabar de limpar a casa, tratar da roupa, mudar os lençóis da cama, dar banho em seus filhos, cozinhar, organizar, etc., ele lhe tinha dito "obrigado"? Mas um obrigado do tipo: "Uau, querida! Você é fantástica!"
Isso parece-te absurdo? Estranho? Quando você, uma vez na vida, limpou o chão, esperava no mínimo um prémio de excelência com muita glória… Por quê? Nunca pensou nisso, amigo?
Talvez porque para você, a cultura machista tenha mostrado que tudo seja tarefa dela. Talvez você se tenha sido ensinado que tudo isto deve ser feito sem que você tenha de mexer um dedo. Então elogie-a como você gostaria de ser elogiado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Dê uma mão, comporte-se como um verdadeiro companheiro, não como um hóspede, que só vem a casa dormir, tomar banho… Sinta-se em casa. Na sua casa.
A mudança real da nossa sociedade começa em nossas casas. Vamos ensinar aos nossos filhos e filhas o verdadeiro sentido do companheirismo!”
"Um amigo veio a minha casa tomar café, e sentámos falando sobre a vida. A um certo ponto da conversa, eu disse: “Vou lavar os pratos e volto num instante”.
Ele olhou para mim como se eu lhe tivesse dito que ia construir uma nave espacial. Depois disse-me, com admiração mas um pouco perplexo: “Ainda bem que você ajuda a sua mulher; eu não ajudo porque quando eu faço alguma coisa a minha mulher não agradece. Ainda na semana passada lavei o chão e nem um obrigada.”
Voltei a sentar-me e expliquei-lhe que eu não “ajudo” a minha mulher. Na verdade, a minha mulher não necessita de ajuda, ela precisa é de um companheiro. Eu sou um sócio em casa e por via dessa sociedade as tarefas são divididas, mas não se trata certamente de uma “ajuda” com as tarefas de casa.
Eu não ajudo a minha mulher a limpar a casa porque eu também vivo aqui e é necessário que eu também a limpe.
Eu não ajudo a minha mulher a cozinhar porque eu também quero comer e é necessário que eu também cozinhe.
Eu não ajudo a minha mulher a lavar os pratos depois da refeição porque eu também uso esses pratos.
Eu não ajudo a minha mulher com os filhos porque eles também são meus filhos e é minha função ser pai deles.
Eu não ajudo a minha mulher a lavar, estender ou dobrar as roupas, porque a roupa também é minha e dos meus filhos.
Eu não sou uma ajuda em casa, eu sou parte da casa. E no que diz respeito a elogiar, perguntei ao meu amigo quando é que foi a última vez que, depois da sua mulher acabar de limpar a casa, tratar da roupa, mudar os lençóis da cama, dar banho em seus filhos, cozinhar, organizar, etc., ele lhe tinha dito "obrigado"? Mas um obrigado do tipo: "Uau, querida! Você é fantástica!"
Isso parece-te absurdo? Estranho? Quando você, uma vez na vida, limpou o chão, esperava no mínimo um prémio de excelência com muita glória… Por quê? Nunca pensou nisso, amigo?
Talvez porque para você, a cultura machista tenha mostrado que tudo seja tarefa dela. Talvez você se tenha sido ensinado que tudo isto deve ser feito sem que você tenha de mexer um dedo. Então elogie-a como você gostaria de ser elogiado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Dê uma mão, comporte-se como um verdadeiro companheiro, não como um hóspede, que só vem a casa dormir, tomar banho… Sinta-se em casa. Na sua casa.
A mudança real da nossa sociedade começa em nossas casas. Vamos ensinar aos nossos filhos e filhas o verdadeiro sentido do companheirismo!”

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