Perguntou-me uma mãe como explicar ao filho menor o que é o
Advento. Respondi-lhe: ninguém melhor do que tu podes explicar. A melhor imagem
do Advento é uma mulher grávida que espera, que se prepara e ao ambiente em
redor, para o nascimento do filho. Assim nós esperamos, preparando-nos, o
nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Do Evangelho segundo São Mateus: «O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. (...) Num sonho, o Anjo do Senhor disse a José: "filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados"» (Mt 1, 18-24).
Sim, Advento é tempo de gravidez
Gravidez de esperança pelo novo que vem em forma de menino, humano e indefeso, nascido de mulher e querido pelo homem dessa mulher.
E é a esse mistério
tão singelo e despretensioso - pelo qual o mundo é mundo e a cadeia da
humanidade segue adiante por séculos e milénios - que a fé cristã atribui a salvação do mundo.
O que aconteceu, acontece e acontecerá
O que aconteceu no ventre de Maria, aconteceu, acontece e
acontecerá nas entranhas de todas as Marias, Joanas, Cristinas, Anas, Franciscas,
Leonores que povoaram, povoam e povoarão a terra.
O que aconteceu em sonhos a José – percebeu qual a missão
que Deus dava ao seu filho, e a Maria, sua esposa, e a si mesmo – , acontece, aconteceu
e acontecerá a todos os Josés, Franciscos, Joões, Santiagos, Afonsos
O Advento, portanto, é tempo de gravidez e gestação, e o
Natal é tempo de dar à luz. Neste menino
pequeno e recém-nascido ao frio e ao calor, à fome e à sede, à saciedade e ao
carinho, à dor e à alegria encarnou a Palavra que vinha germinando nos
sulcos do mundo, nas veias da história, e nas entranhas maternais de todo instante,
desde o começo dos tempos.
Que se abra, então, a terra para que brote e germine hoje e
sempre, com sabor e aroma de novo, frágil e indefesa, a manifestação de Deus
que se faz criança na carne frágil de Jesus de Nazaré.
Que se abra a terra, para que da gravidez universal da
criação seja parida a nova criação, fruto da caridade divina e dos gestos
humildes de amor de cada um de nós.
Contemplar, para reproduzir
Para nós, que celebramos o Advento, a figura da Virgem
Maria, a jovem de Nazaré desposada com o carpinteiro José, que se preparam para
dar à luz aquele que veio do alto e do infinito, fica o convite à contemplação
e à adoração. Adoremos pois, o Deus Connosco que a Mulher nos mostra no seu ventre
grávido. Dali sairá a verdadeira Luz para todo aquele ou aquela que vem a este
mundo.
Que a nossa humanidade, enfim, aprenda neste Advento a
preparar-se para abrir-se e acolher aqueles em quem o Menino Jesus se apresenta
hoje: o outro que sofre, chora e é infeliz.
O outro que está faminto, sedento, cativo e nu.
Que o nosso coração vá aprendendo a ser de carne e não de pedra
neste tempo de espera em que Deus, uma vez mais, cresce no ventre daquela que é
cheia de graça para ensinar que o amor é
flor tão frágil quanto preciosa; tão bela quanto mais indefesa; mais
ofuscantemente deslumbrante justamente quando se encontra mais ameaçada. E que
é preciso cuidá-la com carinho, para que ilumine e encha de beleza o mundo tão
cheio de ameaças, guerras e morte. Mundo no qual perdem os que têm razão e
ganham os que não a têm.
Fernando Félix e Maria Clara Bingemer, em https://domtotal.com


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