Cinco regras para se lidar com os papas aposentados


Primeira regra: que o papa aposentado não seja chamado papa nem papa emérito. Assim que renunciar, ele deveria ser chamado Cardeal Emérito e Bispo Emérito de Roma. Teria o estatuto que tem a maioria dos cardeais aposentados.

Segunda regra: ele deveria retomar o seu nome original; e não mais ser chamado pelo nome papal. Obviamente, tudo o que ele disse ou fez enquanto papa pode ter o seu nome papal anexado, mas tudo o que fizer após a renúncia estaria sob o seu nome original. Assim, Bento XVI seria chamado cardeal Joseph Ratzinger, bispo emérito de Roma. O mesmo valeria para Francisco caso renuncie.

Exemplos:
algumas monarquias seguem este padrão.
Quando renunciou, Eduardo VIII se tornou Duque de Windsor.
Ele não era rei emérito. 
Na Holanda, que viu duas rainhas renunciarem por motivos de idade, elas se tornaram princesas novamente após a renúncia.

Terceira regra: o papa aposentado deveria tirar a batina branca e voltar a usar vestes pretas ou vermelhas de cardeal. Na Igreja Católica, os símbolos são importantes. Os símbolos comunicam, eles ensinam. Ter dois homens vestidos de branco e sentados um próximo do outro faz que pareçam iguais quando não o são.

Quarta regra: Refere-se a onde o papa aposentado deveria morar. Alguns acharam que a estada de Bento XVI no Vaticano foi um erro. Uns sugeriram Castel Gandolfo, residência de verão do papa. Outros sugeriram que Bento retornasse à Alemanha, mas esta ideia levanta dúvidas sobre a segurança. Ninguém quer um ex-papa assassinado ou sequestrado sob sua jurisdição. Seria o Vaticano ou o governo alemão quem daria proteção? Há também implicações legais ao deixar o território vaticano. Dado que Bento já não seria soberano, estaria sujeito a intimações, depoimentos ou extradição em casos de abuso sexual?
Haveria também o perigo de que um lugar fora do Vaticano se tornasse um local de peregrinação para os opositores do atual papa. O que não seria bom.

Dadas estas complexidades, o melhor seria deixar a residência do papa aposentado para que seja negociado entre o novo pontífice e ele. O novo papa, como o superior religioso do papa aposentado, teria a palavra final.

Quinta regra: O papa aposentado pode falar sobre assuntos da Igreja.

As atuais circunstâncias são um tanto irónicas, visto que o cardeal Ratzinger, como chefe do dicastério doutrinal do Vaticano, ficou conhecido por silenciar teólogos dos quais discordava. É também irónico ouvir académicos progressistas, que prezam a liberdade de expressão, queixarem-se quando Bento fala ou escreve.

Como proponente de um debate aberto e livre na Igreja, não posso, em princípio, dizer que os papas aposentados deveriam ficar em silêncio. Acho que devemos confiar na prudência que eles têm e no respeito pelo ofício do papado. Na verdade, não acho que exista alguma maneira de silenciar um papa que venha a renunciar, especialmente um papa como Bento, quem passou a maior parte de sua vida como teólogo e professor.

Se as primeiras três sugestões dadas acima fossem seguidas, qualquer coisa que um papa aposentado dissesse ou escrevesse seria menos ameaçador, porque tanto legal como simbolicamente só haveria um papa na Igreja Católica.

P.e Thomas J. Reese, SJ, em Religion News Service

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