«Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água."
João deu mais este testemunho: "Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus."»
Palavra da salvação.
Como é que João Baptista reconheceu Jesus como o enviado por Deus?
Pela leitura da Palavra de Deus, contida no Antigo Testamento, e pela atitude orante, que lhe permitia ser inspirado interiormente por Deus dia a dia.
Como podemos, hoje, dar testemunho como o deu João Baptista?
A fé que há na Igreja não está nos documentos do magistério ou nos livros de teólogos. A única fé real é a que o Espírito de Jesus desperta nos corações e mentes dos Seus seguidores. Esses cristãos simples e honestos, inspirados interiormente pela Palavra de Deus escrita na Bíblia e por aquela que lhes é comunicada na oração, de coração compassivo, são os que realmente «reproduzem» Jesus e introduzem o seu Espírito no mundo. Eles são o melhor que temos na Igreja.
A primeira coisa de que precisamos hoje, os cristãos, não são catecismos que definam corretamente a doutrina cristã ou exortações que precisem com rigor as normas morais. Só com isso não se transformam as pessoas. Há algo prévio e mais decisivo: narrar nas comunidades a figura de Jesus, ajudar os crentes a entrar em contacto direto com o Evangelho, ensinar a conhecer e amar Jesus, aprender juntos a viver com o Seu estilo de vida e o Seu espírito. Recuperar o «batismo do Espírito». Não é essa a primeira tarefa da Igreja?
Infelizmente, existem muitos cristãos que não conhecem por experiência a força do Espírito de Jesus. Eles vivem uma «religião de segunda mão». Não conhecem nem amam Jesus. Simplesmente acreditam no que dizem outros. A sua fé consiste em acreditar no que diz a Igreja, no que ensina a hierarquia ou no que escrevem os entendidos, apesar de que não experimentem no seu coração nada do que viveu Jesus. Como é natural, com o passar dos anos, a sua adesão ao cristianismo vai-se dissolvendo.
José Antonio Pagola

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