• felizes os que olham nos olhos os descartados e marginalizados fazendo-se próximo deles;
• felizes os que reconhecem Deus em cada pessoa e lutam para que também outros o descubram;
• felizes os que protegem e cuidam da casa comum;
• felizes os que renunciam ao seu próprio bem-estar em benefício dos outros;
• felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão dos cristãos;
• felizes os que suportam com fé os males que outros lhes infligem e perdoam de coração.
Todos os que põem em prática esses seis itens, disse o Papa Francisco, na viagem Apostólica à Suécia (31.10 - 01.11.16), «são portadores da misericórdia e ternura de Deus, e d’Ele receberão sem dúvida a merecida recompensa».
Um Deus que caminha, se faz próximo
«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita», a profecia de Isaías cumprem-se em Jesus, que, «deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo» (Mateus 4, 12-23).
«Não é difícil resumir a mensagem de Jesus: Deus não é um ser indiferente e distante, que se move no seu mundo, interessado apenas na sua honra e nos seus direitos. É alguém que procura o melhor para todos. A sua força salvadora está a agir no mais profundo da vida. Só quer a colaboração das suas criaturas para conduzir o mundo à sua plenitude: «O reino de Deus está próximo. Mudai.»
O que é colaborar no projeto de Deus?
O que é preciso mudar? O chamamento de Jesus não se dirige apenas aos «pecadores» para que abandonem a sua conduta e se pareçam um pouco mais com os que já observam a lei de Deus.
Não é isso que O preocupa.
Jesus dirige-se a todos, porque todos têm de aprender a agir de maneira diferente. O seu objetivo não é que em Israel se viva uma religião mais fiel a Deus, mas que os seus seguidores introduzam no mundo uma nova dinâmica: a que responde ao projeto de Deus.
A compaixão deve ser sempre o princípio de atuação
Há que introduzir no mundo compaixão por aqueles que sofrem: ser compassivos como é o Pai celeste.
Sem compaixão para com os últimos, não somos nada. Sem ajuda prática para com os desgraçados da terra, não há progresso humano.
Sem compaixão para com os últimos, não somos nada. Sem ajuda prática para com os desgraçados da terra, não há progresso humano.
A dignidade dos últimos deve ser o primeiro objetivo
«Os últimos serão os primeiros.» Há que imprimir à história uma nova direção. Há que colocar a cultura, a economia, as democracias e as igrejas a olhar para aqueles que não podem viver de forma digna. Há que promover um processo de cura que liberte a humanidade do que a destrói e degrada: «Ide e curai.»
Jesus não encontrou uma linguagem melhor. O decisivo é curar, aliviar o sofrimento, sanear a vida, construir uma convivência orientada para uma vida mais saudável, digna e feliz para todos, encher de alegria e contentamento.
Esta é a herança de Jesus. Em nenhum lugar a vida será construída como Deus quer se não for libertando os últimos da sua humilhação e sofrimento. Se não se procura justiça para eles, nenhum relacionamento com Deus será abençoado.
António Pagola

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