A santidade hospitaleira à imagem de Jesus Cristo: «De cada encontro com o Outro, de cada vez que aceitamos aquele que é diferente de nós, saímos diferentes, transformados.»
Cada cristão é chamado a assumir na sua vida o estilo próprio de Jesus manifesto na sua santidade hospitaleira, ou seja, na sua capacidade de aprender do encontro com o Outro, de se pôr no lugar do Outro, de se comover com o Outro, sem, no entanto, deixar de ser quem é. Por outro lado, é esta capacidade de Jesus de Se pôr no lugar do Outro que suscita vida em cada um, é aquilo que permite que cada um descubra o modo de concretizar o melhor de si mesmo que, como vimos, é o caminho da santidade.
(...) Se esta consiste na identificação com Cristo, no modo que é próprio a cada um, no concreto da sua existência, então a Hospitalidade - o pormo-nos no lugar do Outro como Jesus Se pôs - pode bem exprimir o que se possa significar ser Santo na pós-modernidade.
(...) Se queremos dar um sentido ao concreto da nossa existência e às ocupações quotidianas, então sejamos hospitaleiros como Jesus o foi, «vivendo com Amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra» (AE, 14). De facto, para sermos hospitaleiros não precisamos nem de grande erudição, nem de sermos extrovertidos, nem de termos capacidades acima da média.
(...) ser hospitaleiro é algo que está ao alcance de cada homem e cada mulher de boa vontade e, portanto, uma forma universal de exprimir a Caridade, a Misericórdia e, no nosso caso, a Fé em Cristo.
Se olharmos os relatos evangélicos, vemos que Jesus, quando encontrava as pessoas, nunca exigia nada delas; apenas acolhia, escutava o que tinham para dizer ou pedir.
(...) Não consta que tenha pedido a nenhum leproso que se afastasse d'Ele, mas antes tocou naqueles que eram os impuros do Seu tempo.
(...) E o fruto deste acolhimento, desta Hospitalidade sem limites foi a conversão de quem se encontrou com Ele. Não uma imposição, nem uma lavagem cerebral, mas a conversão; um caminho que cada uma destas pessoas teve de fazer por si própria, após encontrar-se com a Vida.
(...) A santidade hospitaleira à maneira de Jesus não é aquela «paz podre» que faz parecer que é tudo igual mas que, no final de contas, não contribui para suscitar no Outro o melhor de si.
(...) De cada encontro com o Outro, de cada vez que aceitamos aquele que é diferente de nós, saímos diferentes, transformados. Mas essa transformação longe de ser uma ameaça à nossa integridade pessoal, constitui antes a realização daquilo que somos chamados a ser: pessoas vivas, pessoas em caminho, em progressiva construção mas enraizadas em Cristo e com um rumo bem definido."
João Manuel Silva, s.j., revista Mensageiro, novembro de 2018

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