As boas obras, alimentadas pelo Evangelho, são a luz com que os cristãos iluminam o mundo

Deus fala-nos, por meio da leitura do Livro do profeta Isaías: Eis o que diz o Senhor: "Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia."» (Is 58, 7-10)

do Salmo 111 (112): «Brilha aos homens rectos, como luz nas  trevas, o homem misericordioso, compassivo e justo.»

da leitura da primeira epístola de S. Paulo aos Coríntios: «A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus» (1 Cor 2, 1-5).

do Evangelho segundo São Mateus: «Disse Jesus aos seus discípulos: "Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus."» (Mt 5, 13-16).

Diálogo sobre a Palavra de Deus
As pessoas tendemos a aparecer diante dos outros como mais inteligentes, melhores, mais nobres do que realmente somos. Passamos a vida a tentar aparentar diante dos outros e diante de nós mesmos uma perfeição que não possuímos.

Os psicólogos dizem que essa tendência se deve, sobretudo, ao desejo de nos afirmarmos perante nós mesmos e os outros, para nos defendermos assim da sua possível superioridade.

Falta-nos a verdade das «boas obras» e enchemos a nossa vida de conversa e de todo o tipo de divagações. Não somos capazes de dar um exemplo de vida digna e passamos os dias a exigir o que nós não vivemos.

Talvez tenhamos de começar por reconhecer pacientemente as nossas incoerências, para apresentar aos outros apenas a verdade da nossa vida, e vida transformada por ação da Graça de Deus.

Para ser «sal da terra» e «luz do mundo», o importante não é o ativismo, a agitação, o protagonismo superficial, mas as boas obras que nascem do amor e da ação do Espírito em nós.

Os frutos do Espírito Santo são enumerados por São Paulo no capítulo 5 da Carta aos Gálatas: «Amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e auto-domínio.»

José Antonio Pagola

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