Na Bíblia, a justiça é um dos conceitos centrais. Na perspectiva bíblica, “justo” é aquele que, perante Deus e os homens, se “ajusta” ao modo de agir do mesmo Deus, vivendo e agindo com a marca da bondade.
Visto que justiça designa o comportamento do ser humano em conformidade com a Vontade de Deus, pode-se falar de “praticar a justiça”; ou de “cumprir toda a justiça”.
No Evangelho de São Mateus (Mt 5, 17-37 - e no paralelo de São Lucas: Lc 16,14-18), Jesus enuncia as antíteses – «ouvistes o que foi dito..., eu, porém, vos digo» – do decurso do Sermão da Montanha.
Jesus coloca-nos diante de cinco casos concretos que estão relacionados com a vida relacional e comunitária:
a reconciliação e a não violência (ou mansidão bíblica): «Não matarás»; «Não odiarás.»
o olhar puro que não se apossa de outra pessoa, nem a descarta: «Não cometerás adultério»; «Não repudirar»: «Não olhar para a mulher/o homem com maus desejos»;
a veracidade e transparência no falar: «Não faltarás ao que tiveres jurado»; «A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’.»
e o amor gratuito que inclui o “inimigo”: «Reconcilia-te com o teu irmão»; Reconcilia-te com o teu adversário.»
Em todos estes casos concretos, a expressão “justiça de Deus” não tem nenhuma relação com julgamento de Deus; ela é, antes de tudo, misericórdia e fidelidade a uma vontade de salvação.
O problema da relação entre misericórdia e justiça está em considerar como rivais ou como incompatíveis esses dois atributos de Deus. É preciso afirmar os dois ao mesmo tempo e procurar compreender como ambos estão em Deus, sem que um anule o outro, mas reforçando-se mutuamente. Poderíamos formular assim: Deus é justo na sua misericórdia e misericordioso na sua justiça. Segundo o Papa Francisco, “a misericórdia não exclui a justiça e a verdade, mas, antes de tudo, temos que dizer que a misericórdia é a plenitude da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus”.
Em todos estes casos concretos, a expressão “justiça de Deus” não tem nenhuma relação com julgamento de Deus; ela é, antes de tudo, misericórdia e fidelidade a uma vontade de salvação.
O problema da relação entre misericórdia e justiça está em considerar como rivais ou como incompatíveis esses dois atributos de Deus. É preciso afirmar os dois ao mesmo tempo e procurar compreender como ambos estão em Deus, sem que um anule o outro, mas reforçando-se mutuamente. Poderíamos formular assim: Deus é justo na sua misericórdia e misericordioso na sua justiça. Segundo o Papa Francisco, “a misericórdia não exclui a justiça e a verdade, mas, antes de tudo, temos que dizer que a misericórdia é a plenitude da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus”.
São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma que a justiça de Deus se manifesta na justificação do pecador, de modo que o Deus justo é justificador:
Rm 3, 22-25: «Justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma: todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus. Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé; foi assim que ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos outrora.»
Rm 5, 18: «Portanto, como pela falta de um só veio a condenação para todos os homens, assim também pela obra de justiça de um só veio para todos os homens a justificação que dá a vida.»
Podemos concluir, pois, que Deus é justo porque quer que todos se salvem. É de esperar, portanto, que esta vontade de Deus se cumpra. É claro que, diante do dom da salvação intervém a liberdade humana, porque salvação é acolhida do Deus que é Amor, e não há amor sem recíproca acolhida.
Rm 3, 22-25: «Justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma: todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus. Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé; foi assim que ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos outrora.»
Rm 5, 18: «Portanto, como pela falta de um só veio a condenação para todos os homens, assim também pela obra de justiça de um só veio para todos os homens a justificação que dá a vida.»
Podemos concluir, pois, que Deus é justo porque quer que todos se salvem. É de esperar, portanto, que esta vontade de Deus se cumpra. É claro que, diante do dom da salvação intervém a liberdade humana, porque salvação é acolhida do Deus que é Amor, e não há amor sem recíproca acolhida.
Jesus veio expandir o horizonte do comportamento humano; veio nos libertar dos perigos do moralismo e do legalismo. À luz da justiça de Deus (“força que salva”), Jesus nos apresenta um modo de proceder mais radical, relendo os mandamentos.
A justiça de Deus não é poder que se impõe, mas amor aberto e libertador, a partir dos últimos e dos excluídos da humanidade.
A liberdade criadora de Deus, que é amor aos pobres, se torna princípio de justiça, pois o evangelho chama “justos” precisamente aqueles que acolhem os exilados, visitam os encarcera-dos, dá pão a quem tem fome..., ou seja, àqueles que colocam suas vidas a serviço dos excluídos e vítimas das instituições sociais e económicas injustas.
O único fundamento de qualquer justiça é Cristo. N’Ele nós nos tornamos justiça de Deus (2 Coríntios 5, 21).

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