Cada um dos dias da minha vida quotidiana, Senhor, é o teu dia... (oração de Karl Rahner)

Cada um dos dias da minha vida quotidiana, Senhor, é o teu dia:
Dia da tua graça, dia do teu amor.
Por isso, Senhor, preciso de viver cada um dos meus dias
e aceitá-lo como o teu dia.

Mas por que meios os meus dias humanos
podem tornar-se os teus dias?
Só Tu, ó meu Deus, podes conceder-me esse meio.
Nem o medo, nem qualquer potência da alma, nem mesmo a morte me evitarão perder-me nas coisas do mundo;
só o teu amor me libertará:
o amor por ti, único fim de todas as coisas,
o amor por ti, que para ti basta,
e que só ele pode preencher os nossos desejos…

Amando-te, reencontro o que estava perdido;
tudo se torna canto de louvor e de ação de graças dirigido à tua infinita majestade.
O que estava dividido, o teu amor conduziu à unidade;
o que estava disperso, Tu recolhes em ti;
Aquilo que se tinha tornado puramente exterior, 
o teu amor fá-lo reentrar “no interior”.

Mas este amor que aceita a vida quotidiana tal como ela se apresenta,
que transforma cada um dos meus dias humanos num dia de graça para o fazer desaguar em ti,
esse amor só Tu mo podes fazer dom.

Só tenho uma prece a balbuciar:
concede-me o dom mais banal e mais maravilhoso que seja:
toca o meu coração pela tua graça, concede-me o teu amor.

Permite que ao usar das coisas deste mundo, na alegria ou na dor,
eu chegue, por elas, a compreender-te e a amar-te…
Para que um dia todos os meus dias desaguem
no único dia da tua vida eterna.

Ámem.

Karl Rahner, Homilias do 1º domingo da Quaresma, em Narthex.fr

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