Conto de Quaresma - As três perguntas (adaptação do conto de Liev Tolstói)

Era uma vez um chefe cuja mente estava perturbada. Ele andava preocupado porque queria saber a resposta para três perguntas: Quando é o momento mais importante?
Quem é a pessoa mais importante?
Qual é a ação mais importante de uma pessoa?

O chefe pensou que, se soubesse as respostas para essas três perguntas, teria êxito em qualquer coisa que escolhesse. Além disso, ele sabia que, se tivesse as respostas para aquelas três perguntas, também seria respeitado pelo seu povo por causa da sua grande sabedoria.

O chefe chamou muitas pessoas para que comparecessem na sua presença, muitos homens instruídos, mas nenhum deles conseguiu responder a qualquer uma das três perguntas de modo que o satisfizesse. Por fim, o chefe ouviu falar de um certo eremita que vivia na floresta. Este eremita era muito famoso pela sua sabedoria.

O chefe pediu o seu cavalo, e cavalgou sozinho pela floresta em busca do eremita. Quando chegou à casa do eremita, viu um homem muito velho a cavar buracos e a escavar no chão.

O eremita era tão fraco que ele só conseguia cavar e enxugar o suor, e parecia muito cansado. O chefe saltou do cavalo e cumprimentou o velho.

– Eu vim fazer três perguntas – disse, após as saudações, e fez as três perguntas ao eremita.

O eremita ouviu, mas não respondeu. Continuou com seu trabalho.

– Você está cansado – disse o chefe. – Deixe-me ajudá-lo. Eu vou cavar enquanto você descansa.

O chefe cavou por algum tempo, depois repetiu as perguntas, mas, em vez de dar respostas, o eremita levantou-se de onde estava a descansar e disse que continuaria a cavar. No entanto, o chefe não o permitiu, e continuou a indagar o eremita. Nisto, o chefe viu um homem barbudo a vir na sua direção, com sangue a escorrer de feridas no rosto.

O chefe deteve o homem com palavras gentis e lavou-lhe o rosto com água de um riacho próximo. Em seguida, enrolou um pano em volta das feridas. Quando o homem barbudo lhe pediu água para beber, o chefe conduziu-o para uma cabana, onde poderia descansar. O chefe também se deitou para descansar, pois àquela hora a noite havia chegado.

Na manhã seguinte, o chefe foi ter mais uma vez com o eremita. Este plantava sementes nos buracos que haviam sido cavados no dia anterior.

– Oh, eremita sábio – disse o chefe. – Imploro-lhe que me responda às três perguntas.

– As suas perguntas já foram respondidas – respondeu o eremita.

– Não ouvi respostas – contrapôs o chefe.

– Você teve compaixão de mim por causa da minha fraqueza e idade – explicou o eremita. – Você ficou comigo para me ajudar. Se você não tivesse feito isso e tivesse seguido seu caminho, aquele homem barbudo tê-lo-ia morto.

O chefe ouviu sem dizer uma palavra enquanto o eremita continuava a falar.

– O momento mais importante foi quando você estava a cavar para mim. Eu fui a pessoa mais importante desse momento e ajudar-me foi a sua ação mais importante. Quando o homem ferido chegou perto de nós, ele era a pessoa mais importante, e o que você fez por ele foi a sua ação mais importante.

O chefe começou a entender o que as palavras do eremita deveriam significar para ele.

– Lembre-se – continuou o eremita – há apenas um momento que é importante, e é o presente. A pessoa mais importante é aquela com quem você está a qualquer momento, pois nunca sabe se ele pode ser a última pessoa na terra com quem você se encontra. E a ação mais importante para você fazer é tratar bem e com justiça a pessoa com quem está, porque é apenas para esse propósito que você foi enviado a esta vida.

Então o eremita retomou a sementeira, e o chefe montou o seu cavalo e voltou para o palácio. Ele nunca mais esqueceu o que havia aprendido com o eremita.

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