Era uma vez um chefe cuja mente estava perturbada. Ele
andava preocupado porque queria saber a resposta para três perguntas: Quando
é o momento mais importante?
Quem é a pessoa mais importante?
Qual é a ação
mais importante de uma pessoa?
O chefe pensou que, se soubesse as respostas para essas três
perguntas, teria êxito em qualquer coisa que escolhesse. Além disso, ele sabia
que, se tivesse as respostas para aquelas três perguntas, também seria
respeitado pelo seu povo por causa da sua grande sabedoria.
O chefe chamou muitas pessoas para que comparecessem na sua
presença, muitos homens instruídos, mas nenhum deles conseguiu responder a
qualquer uma das três perguntas de modo que o satisfizesse. Por fim, o chefe
ouviu falar de um certo eremita que vivia na floresta. Este eremita era muito
famoso pela sua sabedoria.
O chefe pediu o seu cavalo, e cavalgou sozinho pela floresta
em busca do eremita. Quando chegou à casa do eremita, viu um homem muito velho a
cavar buracos e a escavar no chão.
O eremita era tão fraco que ele só conseguia cavar e enxugar
o suor, e parecia muito cansado. O chefe saltou do cavalo e cumprimentou o
velho.
– Eu vim fazer três perguntas – disse, após as saudações, e
fez as três perguntas ao eremita.
O eremita ouviu, mas não respondeu. Continuou com seu
trabalho.
– Você está cansado – disse o chefe. – Deixe-me ajudá-lo. Eu
vou cavar enquanto você descansa.
O chefe cavou por algum tempo, depois repetiu as perguntas,
mas, em vez de dar respostas, o eremita levantou-se de onde estava a descansar
e disse que continuaria a cavar. No entanto, o chefe não o permitiu, e
continuou a indagar o eremita. Nisto, o chefe viu um homem barbudo a vir na sua
direção, com sangue a escorrer de feridas no rosto.
O chefe deteve o homem com palavras gentis e lavou-lhe o
rosto com água de um riacho próximo. Em seguida, enrolou um pano em volta das
feridas. Quando o homem barbudo lhe pediu água para beber, o chefe conduziu-o
para uma cabana, onde poderia descansar. O chefe também se deitou para
descansar, pois àquela hora a noite havia chegado.
Na manhã seguinte, o chefe foi ter mais uma vez com o
eremita. Este plantava sementes nos buracos que haviam sido cavados no dia
anterior.
– Oh, eremita sábio – disse o chefe. – Imploro-lhe que me
responda às três perguntas.
– As suas perguntas já foram respondidas – respondeu o
eremita.
– Não ouvi respostas – contrapôs o chefe.
– Você teve compaixão de mim por causa da minha fraqueza e
idade – explicou o eremita. – Você ficou comigo para me ajudar. Se você não
tivesse feito isso e tivesse seguido seu caminho, aquele homem barbudo tê-lo-ia
morto.
O chefe ouviu sem dizer uma palavra enquanto o eremita
continuava a falar.
– O momento mais importante foi quando você estava a cavar
para mim. Eu fui a pessoa mais importante desse momento e ajudar-me foi a sua
ação mais importante. Quando o homem ferido chegou perto de nós, ele era a
pessoa mais importante, e o que você fez por ele foi a sua ação mais
importante.
O chefe começou a entender o que as palavras do eremita
deveriam significar para ele.
– Lembre-se – continuou o eremita – há apenas um momento que
é importante, e é o presente. A pessoa mais importante é aquela com quem você
está a qualquer momento, pois nunca sabe se ele pode ser a última pessoa na
terra com quem você se encontra. E a ação mais importante para você fazer é
tratar bem e com justiça a pessoa com quem está, porque é apenas para esse
propósito que você foi enviado a esta vida.
Então o eremita retomou a sementeira, e o chefe montou o seu
cavalo e voltou para o palácio. Ele nunca mais esqueceu o que havia aprendido
com o eremita.
Original: As-tres-perguntas-l-tolstoi.html

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