Ia um antigo professor numa rua. Um rapaz, que fora seu
aluno, aproxima-se e pergunta: – Senhor professor, lembra-se de mim?
– Não... Mas conte-me: o que faz?
– Sou professor.
– Que bom. Como eu...
– Sim. Quis ser professor porque o senhor me inspirou.
– A sério?
– Sim! Certo dia, um colega meu levava um relógio novo. Era
lindo. Fiquei com tanta vontade de o ter, que o furtei da mochila dele. Quando
o meu amigo se deu conta do furto, foi falar consigo. Então, o professor disse
à turma: «O relógio do vosso colega foi roubado. Quem o roubou, por favor,
devolva-o.» Mas eu não o devolvi. Nesse momento, você trancou a porta,
mandou-nos ficar de pé e disse que ia revistar os bolsos um por um, até achar o
relógio. Em seguida, ordenou que fechássemos os olhos. Você foi passando de
bolso em bolso. Chegou a mim, encontrou o relógio e tirou-o. No entanto,
continuou a revistar os bolsos até ao último aluno. Quando terminou, disse-nos
que já podíamos abrir os olhos, porque já tinha o relógio. Eu estava
envergonhado. Porém, o professor não me disse nada. Nem disse quem tinha
roubado o relógio. Não me deu nenhuma lição de moral, mas eu entendi a
mensagem. Naquele dia, você salvou a minha dignidade para sempre. Foi o dia
mais vergonhoso da minha vida. Contudo, foi o dia em que a minha dignidade foi
salva, e, desse modo, o professor impediu que eu me tornasse um ladrão, um
delinquente, uma má pessoa. E eu entendi que é isso o que um verdadeiro
educador deve fazer. Lembra-se disto, professor?
– Eu lembro-me da situação, do relógio roubado, de ter
revistado todos os alunos, etc. Mas não sabia que tinha sido você. Porque
também eu tinha os olhos fechados ao revistá-los.
(Autor desconhecido)
Para refletir
O professor desta história é imagem de Deus, que é magnânimo
na prática do perdão. E pode ser imitado por cada um de nós.
Perdoar é livrar quem comete erros de ter um presente e um
futuro tristes. É salvar a dignidade. Por receber ou dar perdão, a pessoa que
deu um passo em falso, procedeu mal, praticou um delito, ou que não fez o que
devia, por omissão, endireita a vida.

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