A primeira coisa, o mais importante, para Jesus Cristo, é sempre
o cuidado da vida. Esse cuidado expressa-se mediante o aliviar e o remediar o
sofrimento – dos pobres, dos presos, dos doentes, das viúvas, dos famintos, dos
injustiçados, dos marginalizados –, de modo que tenham saúde, vida agradável,
harmonia, sejam fecundos e vejam crescer a família mais próxima, os amigos e os
bens, para usufruto e partilha com os mais necessitados.
De acordo com o Evangelho, a saúde é um dos temas mais
teológicos que existem. E os autores bíblicos expuseram esse significando
valendo-se na sua etimologia, em grego «holos», com um sentido de totalidade,
no latim salus, que se traduz por «salvação, conservação da vida», e no hebraico
«slalom», para dizer que saúde abrange o estar bem nos âmbitos físico, mental,
espiritual e social.
Levando em conta que Jesus não é médico, mas uma pessoa religiosa,
Ele entende a religião de maneira tal que a primeira coisa, e a mais urgente, é
oferecer a todos a saúde que é vontade do Pai. E a saúde de Deus não é apenas, nem
principalmente, ausência de doenças ou um padrão estético, mas a salvação da pessoa
na sua totalidade. O Evangelho mostra-nos Jesus próximo dos
doentes, mamando-os, comovendo-se por eles, dando-lhes conforto e curando-os de suas enfermidades. E a sua
prática não fica por aí. A partir da cura, ensina-lhes que Deus, além de curar
doenças, perdoa pecados; além de restaurar a saúde corporal, restaura também a
totalidade da pessoa, reconciliando-a com o Pai e reintegrando-a na comunidade,
para que possa louvá-Lo e servi-Lo plenamente.
No seguimento de Jesus, a primeira coisa, e a mais
importante, que a religião tem de fazer é cuidar do dom precioso que é a vida e
resguardá-la de tudo o que atenta contra a sua subsistência. Isso é falta de
saúde.
Deus não está ausente na doença. Ele está em quem pede e em quem dá saúde. Está nos necessitados e está em quem remedeia. Está nos
doentes e nos indigentes, e atua mediante o cuidado da vida, que acontece no
trabalho heroico de médicos, enfermeiros e toda a comunidade hospitalar, no
acompanhamento familiar, na solidariedade gerada na vizinhança e no compromisso
individual pela sua saúde, da qual deriva também a saúde global.

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