«Os pobres pedem esmola. Quanto dar? Cabe-vos a vós decidir. Comprai na medida das vossas posses.
Tendes uma moeda? Comprai o céu! Não que o céu seja barato, mas é a bondade do Senhor que o permite.
Não tendes moedas? Dai-lhes um copo de água fresca (Mt 10,42). […]
Podemos comprar o céu e deixamos de o fazer! Por um pão que deis, recebereis o paraíso.
Oferecei objetos de pouco valor, e recebereis tesouros;
oferecei as adversidades, e obtereis a imortalidade;
dai bens perecíveis, e recebereis em troca bens imperecíveis. […]
Quando se trata dos bens perecíveis, revelais muita perspicácia; porque manifestais tal indiferença quando se trata da vida eterna?
[…] De resto, podemos estabelecer um paralelo entre os vasos cheios de água que se encontram à porta das igrejas para purificar as mãos e os pobres que estão sentados fora do edifício para purificardes a vossa alma através deles. Lavastes as mãos na água: da mesma maneira, lavai a alma através da esmola. […]
Uma viúva, reduzida a uma pobreza extrema, deu hospitalidade a Elias (1R 17,9ss): a sua indigência não a impediu de o acolher com grande alegria. Então, em sinal de reconhecimento, recebeu numerosos presentes, que simbolizavam o fruto do seu gesto. Este exemplo talvez vos faça desejar acolher um Elias. Mas porque pedis Elias? Proponho-vos o Senhor de Elias, e não lhe ofereceis hospitalidade. […] Eis o que Cristo, o Senhor do universo, nos diz: «Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
São João Crisóstomo (c. 345-407)
Homílias sobre a conversão, n°3, sobre a esmola

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