#euficoemcasa. "É possível transformar o medo num recurso": Conselhos de um neurologista italiano

A disseminação do coronavírus deixa impressões importantes na mente das pessoas. Muitos, nestes tempos caracterizados pela incerteza, experimentam sensações como ansiedade, medo, se não mesmo pânico. O neurologista italiano Rosario Sorrentino sugere algumas ajudas para nos orientarmos nos meandros da mente num momento tão particular e complexo.

Doutor Sorrentino, como se pode tentar controlar o medo?
Neste momento em que há uma grande aceleração de emoções, resultado também de um certo sensacionalismo da comunicação social, acho que deve ser revertido o paradigma e que o medo deve ser visto como um recurso.

Como pode isso ser feito?
O medo tem dois componentes: um emocional e outro racional e consciente. É precisamente este segundo componente que deve ser explorado para garantir que a nossa resiliência possa fazer-nos recomeçar com mais disposição do que antes. 

Aconselho a nunca negar o medo: é humano e pode ser usado eficazmente em sentido positivo para recomeçar.

Existem muitas situações de incerteza que se sobrepõem: há quem é obrigado a fechar um negócio, quem teme mais em geral pelo próprio emprego, quem perde muito dinheiro na bolsa. Como devemos comportar-nos?
Nesta fase, existem três comportamentos mais típicos: uns relacionados com a incerteza, outros em que se fica bloqueados e não se sabe o que fazer e aqueles relacionados com o impulso. O coronavírus, porém, pede-nos uma maior flexibilidade. Este é o momento da reflexão, do retorno ao pensamento, de não ter pressa.

Vale para qualquer situação?
Sim, porque em qualquer situação, seja emocional, afetiva, económica ou patrimonial, não é o momento certo para tomar decisões. O motivo é que há confusão demais e a pessoa está à mercê de emoções negativas. As decisões devem ser adiadas para mais tarde, quando houver mais lucidez.

Carlotta Scozzari, em Business Insider

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