Provavelmente, é o medo o que mais paralisa os cristãos, no
seguir fielmente a Jesus Cristo. Na Igreja atual, há pecado e fraqueza, mas, há
sobretudo, medo de correr riscos. Estamos no terceiro milénio sem audácia para
renovar criativamente a vivencia da fé cristã.
Não é difícil assinalar alguns desses medos.
Temos medo do novo, como se «conservar o passado»
garantisse automaticamente a fidelidade ao Evangelho.
O Concílio Vaticano II afirmou que na
Igreja deve haver «uma constante reforma», pois «como instituição humana,
necessita-a permanentemente». No entanto, o que nestes momentos – e contra o
esforço do Papa Francisco – o que imobiliza a Igreja é um instinto de
conservação.
Temos medo de assumir as tensões e conflitos que surgem
com a busca de fidelidade ao Evangelho.
Calamo-nos quando deveríamos falar;
inibimo-nos quando deveríamos intervir.
Proíbe-se o debate de questões importantes, para evitar
situações que podem inquietar;
preferimos a adesão rotineira que não traz problemas nem
desgosta a hierarquia.
Temos medo da investigação criativa.
Medo de rever ritos e linguagens litúrgicas que não
favorecem hoje a celebração viva da fé.
Medo de falar dos «direitos humanos» dentro da Igreja.
Medo de reconhecer praticamente à mulher um lugar mais de
acordo com o espírito de Jesus.
Temos medo de colocar a misericórdia acima de tudo,
esquecendo que a Igreja não recebeu o «ministério do julgamento e da
condenação», mas o «ministério da reconciliação».
Há medo de acolher os pecadores como Jesus fez.
Dificilmente se dirá hoje da Igreja que é «amiga dos
pecadores», como se dizia do Seu Mestre.
O que está a acontecer connosco, cristãos?
- Porquê são tantos os nossos medos ao enfrentar estes tempos cruciais e tão pouca a nossa confiança em Jesus?
- Porquê são tantos os nossos medos ao enfrentar estes tempos cruciais e tão pouca a nossa confiança em Jesus?
- Porque resistimos a ver que Deus está a conduzir a Igreja em
direção a um futuro mais fiel a Jesus e ao seu Evangelho?
- Porquê buscamos segurança no conhecido e estabelecido no passado, e não ouvimos o chamamento de Jesus a "passar à outra margem", mesmo se isso significa pegar na cruz e seguí-lo, para humildemente espalhar a sua Boa Nova do amor que vence o ódio, num mundo indiferente a Deus, mas tão necessitado de esperança?
- Porquê buscamos segurança no conhecido e estabelecido no passado, e não ouvimos o chamamento de Jesus a "passar à outra margem", mesmo se isso significa pegar na cruz e seguí-lo, para humildemente espalhar a sua Boa Nova do amor que vence o ódio, num mundo indiferente a Deus, mas tão necessitado de esperança?
- Será que queremos continuar a colocar o dinheiro à frente de
Deus, ou exigimos que Deus seja necessário para ganharmos dinheiro, adquirir
poder ou conquistar bem-estar?
- Será que exigimos que Deus seja necessário para nos
dispensar do mal, do sofrimento ou das desgraças da vida?
- Para que nos serve Deus? Serve, para nós, crentes, enfrentarmos
as dureza da vida e o mistério da morte com uma luz – a do senhor transfigurado
–, que nos dá a certeza da vitoria do bem.
Refletindo sobre a origem dos nossos medos
Quando o nosso coração não está habitado por um amor forte
ou uma fé firme, facilmente a nossa vida fica à mercê dos nossos medos. Às
vezes é o medo de perder prestígio, segurança, conforto ou bem-estar o que nos
impede de tomar as decisões. Não nos atrevemos a arriscar a nossa posição
social, o nosso dinheiro ou a nossa pequena felicidade.
Outras vezes paralisa-nos o medo de não sermos acolhidos.
Atemoriza-nos a possibilidade de ficarmos sós, sem a amizade ou o amor das
pessoas, ter de enfrentar a vida diária sem a companhia próxima de ninguém.
Com frequência vivemos preocupados apenas em ficar bem. Dá-nos medo parecer ridículo, confessar as nossas verdadeiras convicções, dar
testemunho da nossa fé. Tememos as críticas, os comentários e a rejeição dos
outros.
Por sua vez, a fé em Deus, quando é bem entendida, enche-nos o coração de força para viver com mais
generosidade e de forma mais arriscada. É a confiança viva no Pai que ajuda a
superar cobardias e medos.
A fé não cria pessoas cobardes, mas pessoas resolutas e
audazes. Não fecha os crentes em si mesmos, mas abre-os mais à vida
problemática e conflitiva de cada dia. Não os envolve na preguiça e na
comodidade, mas anima-os para o compromisso.
Quando um crente escuta verdadeiramente no seu coração as
palavras de Jesus: “Não tenham medo”, não se sente convidado a fugir do seus
compromissos, mas alentado pela força de Deus a enfrentá-los.
José António Pagola

Comentários
Enviar um comentário