1. Um homem de ação
Para
entendermos a impetuosidade deste discípulo, é preciso conhecer a
sua história. Pedro era galileu, e os galileus tinham a reputação
de serem independentes e enérgicos. Isso às vezes, fazia com que
parecessem turbulentos, mas eles tinham um caráter franco. Embora
fossem impetuosos, eram também mais simples e transparentes do que
os seus irmãos do sul. Pedro era ativo e seu modo de agir era muito
rápido. Às vezes agia sem pensar muito! Quando Jesus andou sobre o
mar, ele pediu para andar também, e foi o único a ter essa
experiência! Quando Jesus estava sendo preso, Pedro foi o único que
agiu tentando ajudar Jesus, embora acabasse cortando a orelha direita
do servo do sumo sacerdote (Mt 26, 51; Mc 14, 47; Lc 22, 50; Jo 18,
10).
Foi
repreendido por Jesus, mas a sua coragem nos impressiona! Se
prestarmos atenção em Pedro, vamos notar que ele participou muito
ativamente do ministério de Jesus aqui na Terra. Ele estava em todas
as ocasiões, mesmo quando era para gerar humilhação, como negar
Jesus! Mas, e os outros?!. Para onde fugiram os outros? É bem
provável que se os outros discípulos estivessem na mesma situação
de Pedro, quem garante que eles também não teriam negado Jesus! Na
verdade, todos eles negaram, pois fugiram, escondendo-se.
Nas
histórias de Pedro, podemos ver que ele cometeu vários erros.
Apesar de sua proeminência e entusiasmo, Pedro ainda era um ser
humano imperfeito, mas muito atuante. Deus gosta de usar pessoas de
“ação” na sua obra. Ele prefere que erremos tentando acertar,
de que ficarmos parados, imobilizados ou engessados. Deus precisa de
pessoas motivadas, que saibam influenciar, e de serem atuantes na sua
obra! Deus quer pessoas “ativas”. Que sejam ativas na igreja, no
lar, na vizinhança, no trabalho, na faculdade, e em todos os lugares
onde o nome de Deus precisa ser exaltado! Ser ativo não significa
falar muito ou querer aparecer. É deixar a passividade de lado e
usar os dons que Deus lhe deu para engrandecer a obra de Cristo.
2.
Um homem de coração humilde
Diz
a Bíblia que certo dia Simão, André, Tiago e João tinham tido uma
fraca noite de pesca. Jesus apareceu de repente e, subindo para o
barco de Simão, ordenou-lhe que lançasse as redes. Ele assim o fez,
apanhando muitos peixes que acabou por encher dois barcos. Foi um
milagre feito perante Simão. O discípulo maravilhado lançou-se aos
pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem
pecador” (Lc 5, 8). A confissão de Pedro indica que ele
reconhecera a obra de Deus em Jesus. Pedro na condição de pescador,
não merecia estar na presença de Jesus, que era Santo.
Jesus
jamais afasta o pecador que reconhece a sua condição miserável!
Pedro era um homem forte, vigoroso, arrojado, mas também era humilde
para reconhecer as suas fraquezas! A sua humildade foi que o
diferenciou de Judas. Pedro poderia ter tido o mesmo fim de Judas,
mas a sua humildade sobressaiu, e ele reintegrou o seu chamamento.
Muitos de nós nos assemelhamos a Pedro nas suas fraquezas, mas
dificilmente gostamos de nos assemelharmos a ele em humildade. O
certo é que, quando vemos Jesus mais claramente, a sua perfeição
expõe as nossas imperfeições.
Deus
cerca-se de pessoas humildes como Pedro, que têm coragem de assumir
os seus erros. O orgulho é um dos maiores obstáculos que Deus
enfrenta para atingir o coração de alguém. É o maior empecilho
para fazer dos cristãos pescadores de homens.
3.
O arrependimento de Pedro foi sincero
Pedro
tinha negado o seu Senhor no momento de maior necessidade e
humilhação de Cristo. O seu arrependimento foi sincero, pois
demonstrou isso quando se entristeceu verdadeiramente pelo ato que
cometera, e não pelas consequências. O seu arrependimento mostrou
que o Espírito Santo podia trabalhar no seu coração e mudá-lo.
Pedro
estava totalmente arrependido e disposto a recomeçar! Esse atributo
é o selo dos verdadeiros cristãos! A grande diferença de quem crê
está no arrependimento, e não na quantidade de pecados!
4.
Um poderoso missionário
Pedro
além de ativo, era zeloso, firme e intolerante. Jesus viu nele um
elemento útil para a sua igreja. Pedro foi chamado para ser
“pescador de homens” (Mt 4, 19).
Em
Lc 22, 32 - Jesus nos mostra que sabia que Pedro um dia mudaria, e se
tornaria um homem importante para a Igreja primitiva.
Depois
que Jesus morreu e ressuscitou iniciou-se a grande obra de Pedro.
Tornou-se um dos grandes missionários dos judeus e dos gentios! Uma
pedra de valor nas mãos de Deus. Houve um momento que Pedro entendeu
que tinha que sair de Jerusalém. Só depois de algum tempo em
Samaria, é que ele volta para Jerusalém para relatar à Igreja os
bons resultados de seu trabalho (At 8, 14-25).
Foi
em Jerusalém que Pedro conheceu Paulo pela primeira vez após ter
sido convertido (At 9, 26-30). Deixa novamente Jerusalém e parte
para uma viagem missionária em Lida e Jope (At 9, 32-43). É chamado
para abrir a porta da igreja cristã aos gentios, através da
admissão de Cornélio de Cesareia (At 10). Embora o livro de Atos,
destaque mais as viagens de Paulo, Pedro também viajou extensamente
pela Antioquia (Gl 2, 11), e Corinto (2 C1, 12). Foi quando ficou
conhecido como o apóstolo dos judeus (Gl 2, 8).
5.
Um forte espírito de chefia
Quando
lemos o NT, podemos perceber que Pedro sempre “encabeça” a lista
dos apóstolos nos relatos dos Evangelhos. Junto a Tiago e João é
um dos três do círculo fechado de Jesus. Os Evangelhos com
frequência retratam Pedro assumindo posição de comando: faz
perguntas, dá conselhos não solicitados, salta do barco para se
encontrar com Jesus, anda sobre as águas, expressa convicção de
que Jesus é o Cristo, afirma fervorosamente sua lealdade, puxa a
espada no Getsémani, e briga com os que vieram prender Cristo.
O
evangelho de Atos destaca Pedro como um líder inquestionável!
Pregou o primeiro sermão evangelístico na Igreja Primitiva (At 2),
corajosamente enfrentou o Sinédrio (At 4). Foi o primeiro a dividir
o evangelho com um gentio na casa de Cornélio (At 10). Foi ele que
buscou a moeda do tributo, na boca do peixe (Mt 17, 24-27). Junto com
João, eram quem preparavam a Páscoa para Jesus (Lc 22, 8).
Por
isso, entendemos que os escritores do NT, o consideravam como o mais
importante dos doze. Ele não escreveu tanto como João ou Mateus,
mas surgiu como um apóstolo de forte liderança e grande influência
na igreja primitiva. No dia de Pentecoste, 120 seguidores de Jesus
receberam o Espírito Santo, mas a bíblia só registra as palavras
de Pedro a explicar o que estava a acontecer nnaquele lugar (At 2,
14-40). Ele e João foram os primeiros a realizarem um milagre depois
de Pentecoste curando um paralítico na Porta Formosa (At 3.11-11).
Foi Pedro que censurou Ananias e Safira (At 5, 1-11). Foi Pedro que
sugeriu um novo apóstolo para o lugar de Judas (At 1, 15-25).
A
missão de Pedro foi de grande importância junto aos gentios (At
10). Interessante que os escritores do NT usaram quatro nomes
diferentes para Pedro. Um é o nome hebraico Simeon, que significa
“ouvir” (At 15.14). O segundo era Simão, a forma grega de
Simeon. O terceiro era Cefas, palavra aramaica que quer dizer
“rocha”. O quarto nome era Pedro, que em grego significa “pedra
ou rocha”. Os evangelistas do NT se referem ao apóstolo com o nome
Pedro, mais vezes, do que os outros três.
6.
O coração de Pedro transformado e mais sensível à sua voz
Pedro
foi um homem notável pela sua sinceridade e forte desejo de servir a
Jesus em quaisquer circunstâncias. Com a sua história, aprendemos
que Deus chama o homem, apesar dos seus defeitos, a fim de projetar
nele o seu caráter santo mediante a obra do Espírito Santo. Pois
ele conhece a estrutura de cada um de nós, sabe de nossas
imperfeições e nos entende. Há, porém, uma virtude que não pode
faltar ao servo do Senhor: sinceridade. Se formos sinceros e
desejarmos realmente servi-lo com toda a dedicação, a porta estará
aberta para o Espírito Santo efetuar as transformações necessárias
em nosso caráter.
7.
A paixão e o zelo para com as verdades celestes
Pedro
é totalmente transformado no Pentecostes. Jesus já havia voltado
para o céu. Antes, porém, ordenou que os discípulos não se
ausentassem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder
(At 1, 8). Cinquenta dias depois da ressurreição de Jesus, acontece
o cumprimento da promessa e os discípulos são batizados com o
Espírito Santo (At 2.1-5). Os sinais resultantes do batismo chamam a
atenção de judeus de todo o mundo que estão ali reunidos para
celebrarem a festa de Pentecostes e querem saber o que era aquilo.
Pedro, cheio do Espírito Santo, levanta-se e prega o seu primeiro
sermão com tanta ousadia e destemor que quase três mil pessoas se
converteram. O seu temperamento destemido, impulsivo e ousado estava
agora ao serviço de Deus, sob total controlo do Espírito Santo.
Dois elementos marcam o ministério de Pedro após o Pentecostes:
a)
Resistir à perseguição. O homem inconstante que não conseguia
velar sequer uma ora em oração com o seu Mestre, agora é um crente
de constante oração (At 3, 1-9). Pedro agora está convertido, está
seguro e convicto, a ponto de defender com toda a ousadia a causa do
Mestre e regozijar-se por se haver digno de sofrer pelo seu Senhor
(At 5, 42). Nem mesmo os grandes intérpretes da lei judaica
conseguiram calar o homem, muito pelo contrário, ficaram
impressionados com a sabedoria com que Pedro falava, sabendo que este
era homem inculto. Pressionado para parar de pregar, Pedro responde:
«Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido» (At 4,
20).
b)
Zelando pela integridade. A igreja recém-formada crescia de forma
impressionante. Grande era o entusiasmo entre aqueles primeiros
crentes. Ele vendiam suas propriedades e traziam aos pés dos
apóstolos. É nessa conjuntura que Pedro, como um dirigente na
igreja, tem que lidar com os ardis de Ananias e Safira, um casal que
usou de falsidade para com a comunidade dos santos. A desonestidade
do casal foi revelada a Pedro pelo Espírito Santo. Pedro precisava
de tomar uma posição. E agiu. Por uma questão de integridade –
isso não se negocia –, ministrou uma punição extrema – a morte
- sobre Ananias e Safira (At 5, 1-10).
O
papel de coordenação desempenhado por Pedro naqueles dias vê-se
quando tem de sugerir que se escolhesse outro apóstolo para
preencher o lugar de Judas, o traidor, e que resultou na escolha de
Matias. Foi ele quem respondeu aos judeus atónitos o que significava
os sinais no dia de Pentecostes; mais tarde daria a palavra decisiva
sobre os gentios, ordenando que não impusessem sobre eles o jugo dos
ritos judaicos (At 15, 7-10).
Presbítero
Jânio Santos de Oliveira, em www.facebook.com/janiosantosdeoliveira.oliveira
Comentários
Enviar um comentário