Quando um homem ama uma mulher e não consegue meio de
correspondência com ela, o homem é uma ilha.
Se encontra um primo que o aproxima da ninfa, então forma uma
península, e o tal primo, que é a porção de terra que a
liga ao continente, é um istmo.
Se a menina tem uma amiga que, reconhecendo a nossa paixão, a incita
a que nos corresponda, nos sorria e nos afague, essa amiga,
metendo-se pelo mar das nossas ilusões, é um cabo.
Se, em vez da amiga é uma tia, ou qualquer parente, pessoa elevada,
então é um promontório.
Se alcançamos o consentimento da mamã, que nos defende dos furacões
do papá, tal mamã é um porto.
Se, porém, não nos defende, mas se mostra indiferente a que lhe
cortejemos a filha, é simplesmente uma bacia.
Todas as paragens em que podemos falar à donzela, regra geral ao
abrigo de todo o compromisso com os papás, chamam-se ancoradoiros
ou enseadas.
Quando nos correspondemos por intervenção da criada, é esta um
estreito que une os dois mares!
Se a criada não é muito escrupulosa, pode considerar-se canal.
Se é difícil conquistá-la, tem de chamar-se um baixio.
Constituem uma barra todos os obstáculos que se nos opõem
até chegar à jovem.
Os conhecidos de ambos, que auxiliam os nossos planos, são as
correntes que entram para o mar, são os rios.
Se a relação aquece, a corrente é quente, mas, se a relação
gela, a corrente é fria.
Se for quente, é do “Golfo”, se for fria, é do
“Árctico”.
Quando os amantes confiam reciprocamente os seus segredos, há uma
confluência.
Finalmente (quando dão o nó, se não sabem nadar), casar é morrer
afogado.

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