Era uma vez uma laranjeira,
que um dia produziu flores,
que um dia murcharam…
Um homem que não entendia de laranjeiras
disse que ela não daria coisa alguma.
Mas o homem que entendia de laranjeiras
ficou tranquilo e disse que agora
é que começariam a nascer os frutos.
E os frutos começaram a nascer.
O homem que entendia de laranjas
pôs-se a observar um dos frutos que nasciam.
E o fruto que tinha sido florzinha
que murchara, tinha um centímetro.
Era pequeno e imaturo.
Cresceu e continuou pequeno e imaturo.
Cresceu um pouco mais
e tornou-se médio e imaturo.
Cresceu mais ainda
e tornou-se grande e imaturo.
Quando chegou a época,
o homem que não entendia de laranjas,
disse que ela já devia ser colhida.
- Tem o tamanho físico de uma laranja,
parece uma laranja,
não vai crescer muito mais que isso;
daqui por diante ela só vai envelhecer;
logo, vamos colher esta laranja enquanto é nova.
Mas o homem que entendia de laranjas,
contestou e disse:
- O senhor não entende nada sobre a vida!
Ela parece uma laranja,
tem tamanho físico de uma laranja,
não vai crescer mais do que isso,
mas ainda não é laranja:
ela ainda não está madura
nem doce por dentro!
Deixe que ela receba a luz do alto,
sugue a seiva da terra
com mais intensidade do que antes,
e transforme o seu íntimo em
substância doce.
Então começará a ficar dourada por fora
e silenciosamente
começará a dizer que amadureceu.
Adaptado de Pe. Zézinho (Escritor contemporâneo)

Comentários
Enviar um comentário