A Trindade Divina é modelo de vida em comunidade: «Onde existe união e verdade, harmonia e concórdia, aí está Deus»

Jesus Cristo não conseguirá tocar o coração daqueles que não se abrem à sua Presença, que não desejam conhecê-lo e, como tal, mantêm-se distantes.

Eu não devo dar por adquirido que já conheço tudo sobre Jesus; seria pobre demais a minha relação com Ele. Passarei hoje por uma igreja, entrarei, colocar-me-ei diante do Santíssimo, no Sacrário. Com
calma, deixarei que Jesus me fale.

Hoje, Jesus fala comigo, revela-me algo de Si, do plano divino para a minha Salvação e de toda a Criação.

Existe um único Deus que sai de si mesmo, cria o mundo e o Homem e Se coloca a caminho com o seu povo. O mesmo Deus vê o seu povo desobedecer-lhe, afastar-se, a praticar injustiças, opressões, morte e destruições. Mas Deus não fica indiferente. A salvação da humanidade que criou depende sobretudo do Seu amor. É tudo uma questão de AMOR! Deste derivam as nossas obras.

Jesus Cristo, humano como nós, faz-nos refletir, abre-nos os olhos, revela-nos a justiça de Deus sobre as escolhas que fazemos. Ao longo do Evangelho, Jesus continua a dizer-nos que existe uma só medida para cada coisa que fazemos: o amor aos irmãos, o amor a nós mesmos, o amor a Deus.

Dado que isto foi sempre difícil de viver, Jesus humanamente mostrou-nos o caminho para realizar esse amor de modo concreto

«Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito (...) para que o mundo seja salvo por Ele.» Encontramos 78 vezes a palavra "mundo" no Evangelho segundo de João, embora com diversos significados. Neste texto, "mundo" significa a humanidade amada por Deus, sem esquecer que grande parte dela se opõe a Jesus, à sua prática libertadora e recociliadora. A esperança do Evangelho de João é que Jesus venceu o mundo. O Evangelho apresenta Deus que ama o mundo a tal ponto que para o salvar
lhe entrega o seu filho único. O Filho único é toda a vida do Pai: o Deus que dá o Filho é o Deus que se move unicamente no plano do Amor.

«Não me move, Senhor, para Te amar
O Céu que me prometestes
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de Te ofender.
Tu moves-me, Senhor,
Move-me ver-Te
Pregado numa Cruz e escarnecido
move-me ver o teu Corpo tão ferido,
Movem-me as tuas afrontas e a tua morte.
Move-me enfim o teu amor,
E de tal maneira,
Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria,
E ainda que não houvesse inferno Te temeria.
Nada tens que me dar para que eu Te queira,
Pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero
Eu te quereria.
(Santa Teresa de Ávila)

A vida é um dom de Deus. Deus está sempre disposto a conceder-nos essa vida. O Pai, pelo Filho, no Espírito, deu-nos a própria vida divina! Deus veio a nós, quis fazer história na nossa história, quis viver a nossa vida para nos
elevar à vida dele, vida feliz, vida plena, vida eterna! Deu-se gratuitamente para nos salvar, fazendo-nos participar da sua vida! A glória de Deus é que cada pessoa viva.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. A origem de tudo é o amor do Pai. A Trindade confirma que Deus em si mesmo não é solidão ou autosuficiência, mas relação e comunhão plena, da qual nos faz participantes. É o Filho enviado do Pai, a viver entre os homens e a ser Caminho da humanidade, que nos revela e possibilita o acesso a esta comunhão.

Deus interessa-se por nós, fita-nos com o seu olhar e chama-nos a uma relação com Ele, que é comunhão de amor. Aceitar essa relação é a base da vocação de qualquer cristão. E se o centro é Cristo, a nossa comunhão no Seu amor aproxima-nos cada vez mais uns dos outros. Onde existe união e verdade, harmonia e concórdia, aí habita Deus. Eis os critérios de discernimento que o Senhor te dá e nos dá para viver como verdadeiros filhos do Pai, em dócil acolhimento dos dons do Espírito Santo.

Ação
Deus por mim entregou o seu Filho, por amor… O que dou com amor pela vida dos outros, ou até mesmo pela sua salvação? Não sou chamado a dar coisas, mas o melhor que existe em mim: o amor que Deus derramou no meu coração. Este amor traduz-se em gestos concretos que hoje vou por em prática.

Vou tomar como empenho deste dia partilhar com alguém o que fui meditando esta semana sobre a Santíssima Trindade como modelo de vida em comunidade e de comunhão com os irmãos.

Ir. Alzira Sousa,fma

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