É possível ordenar mulheres ao sacerdócio católico, diz nova participante do conselho financeiro vaticano

A professora de direito Charlotte Kreuter-Kirchhof, recentemente nomeada pelo Papa Francisco como membro do grupo de alto escalão que supervisiona as finanças vaticanas, disse, em 10 de agosto, considerar possível que mulheres sirvam como membros do clero da Igreja Católica e ocupem cargos superiores dentro da burocracia da Santa Sé.

A reportagem é publicada por Katholische Nachrichten-Agentur. Tradução: Isaque Gomes Correa.

«A meu ver, muita coisa é possível nessa área», contou ela ao sítio eletrónico católico katholisch.de em entrevista. «Há debates acalorados acontecendo, neste momento, na Igreja sobre isso.»

Kreuter-Kirchhof, residente em Duesseldorf, é presidente da Associação Hildegardis, que apoia as mulheres na educação académica e na formação para o trabalho.

Ela diz na mesma entrevista: «Em muitas dioceses, as mulheres assumem tarefas centrais e dão um contributo substantivo para a viabilidade futura da nossa Igreja.»

Kreuter-Kirchhof descreve a nova nomeação para o Conselho de Economia como um «sinal claro da cooperação buscada entre os bispos, padres e leigos/as, bem como da cooperação entre homens e mulheres». A composição dos membros deste conselho reflete uma união que tem preparado a Igreja para o futuro, afirmou a entrevistada.

As seis novas participantes incluem uma outra alemã, além de Kreuter-Kirchhof: a presidente da Associação Nacional dos Bancos Cooperativos da Alemanha, Marija Kolak, de Berlim.

As outras quatro membros do conselho vêm da Espanha e da Inglaterra. O grupo inclui ainda um leigo (italiano) e oito prelados. O cardeal alemão Reinhard Marx permanece na coordenação do conselho.

Entrevista, em alemão, disponível aqui: Mitglied des Wirtschaftsrats hält Priesterinnen für möglich

Tradução:
Pergunta: O Papa já percorreu um longo caminho com a reforma da Cúria, mas a Cúria ainda é vista como uma autoridade ultrapassada. Como o Vaticano deve se posicionar para estar apto para o futuro?
Kreuter-Kirchhof: Vejo a nova nomeação para o Conselho Económico como um sinal claro da desejada cooperação entre bispos, sacerdotes e leigos, bem como da cooperação entre homens e mulheres. Este corpo especial, em particular, torna-se um sinal de união que torna a igreja adequada para o futuro.

Dos sete leigos chamados, seis são mulheres. Outro sinal forte?
Sim, absolutamente. Isso me deixou particularmente feliz como presidente da Associação Hildegardis, que há muitos anos está comprometida em aumentar a proporção de mulheres em posições de liderança na Igreja.

Será norma no Vaticano no futuro que mulheres e homens leigos desempenhem um papel mais forte?
Eu gostaria disso. Acredito que as vocações tomam uma decisão estrutural clara nessa direção. Viajamos juntos como igreja: homens e mulheres, clérigos e leigos. Juntos, moldamos os próximos passos da igreja.

A nomeação de tantas mulheres para o Conselho Económico, mas também outros detalhes pessoais no Vaticano, mostram que o Papa gostaria de mais responsabilidade para as mulheres e os leigos na Igreja. Quão longe isso vai? Em breve haverá núncios, prefeitos dos dicastérios, diaconisas ou sacerdotisas?
Do meu ponto de vista, muito é possível nesta área. Mas atualmente existem debates controversos na Igreja sobre isso. Quando olho para o trabalho na Associação Hildegardis, que obviamente afeta principalmente a Igreja alemã, vejo aqui sinais encorajadores. Em muitas dioceses, as mulheres assumem tarefas de liderança central e dão uma contribuição significativa para o futuro de nossa igreja. Minha impressão é que todos vêem isso como algo positivo e muito enriquecedor. Muitos padres acolhem bem este desenvolvimento. É do interesse da Igreja e se baseia nas Boas Novas. A Igreja não pode prescindir dos carismas e das vocações femininas. Ela deve usar este grande tesouro para poder pregar o Evangelho.

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