Santa Mónica é modelo a imitar, especialmente pela sua
constante oração a Deus, um diálogo de fé que sustentou a sua caminhada cristã,
e pelo qual se tornou plenamente mãe de Santo Agostinho, biologicamente e na fé.
Santa Mónica é uma mulher tenaz e amorosa, com uma fé sólida.
Esposa virtuosa e mãe cuidadosa, ela alimentou a sua fé com a oração, escuta da
Palavra de Deus e a prática piedosa. O seu é o exemplo de oração incessante que
deveria alimentar a fé de todo cristão.
A oração é o segredo da vida de Santa Mónica, um diálogo com
Deus que nunca se interrompeu. Uma oração que, embora às vezes parecesse que
não era ouvida, foi insistente, sustentada pela vontade de ferro de querer ser
uma boa esposa e de ver os seus filhos seguros no porto de Deus.
Numa meditação matinal proposta na Capela da Casa de Santa
Marta (a 11 de outubro de 2018), o Papa chamou à oração «uma trabalho: um
trabalho que nos pede vontade, nos pede constância, nos pede determinação, sem
vergonha. (...) Uma oração constante e intrusiva. Pensemos em Santa Mónica, por
exemplo, quantos anos ela rezou assim, mesmo com lágrimas, pela conversão do
seu filho. O Senhor finalmente abriu a porta.»
A oração escola de perfeição
E foi precisamente na oração que Mónica alcançou a Sabedoria
e a perfeição, tanto que um dia, conversando com o seu filho Agostinho, entretanto
determinado a dar a sua vida inteiramente pela Igreja, sabendo-o na vida de
Cristo, desejando a plenitude em Deus e bem-aventurança eterna, ela disse que a
vida não tinha mais nenhuma atração para ela.
E perto da morte, encontrando-se em Óstia, longe da Numídia,
a região do norte da África onde nasceu, ela comentou com os seus parentes que
não queriam deixar que os seus restos mortais ficassem em uma terra
estrangeira, recomendou: «Enterrem este corpo onde ele está, sem nenhuma
piedade. Peço a você apenas uma coisa: lembrem-se de mim, onde quer que vocês
estejam, diante do altar do Senhor» (Conf. IX, 11.27).
Mónica em diálogo com Deus
Mónica não teria conseguido tal visão da sua existência se
não tivesse alimentado a sua vida cristã com a oração. A Irmã Ilaria Magli,
monja agostiniana do Mosteiro dos Santos Quatro Coroados, de Roma, explica o
que caracterizou a conversa de Santa Mónica com Deus:
O que certamente distingue a sua oração é a sua tenacidade e
insistência em arrancar Agostinho tanto da seita maniqueísta como de todos os
erros de sua adolescência, a fim de trazê-lo àquela certa felicidade que é a
estabilidade com Deus. Esta insistência, e esta grande liberdade que a mulher e
mãe Mónica tinha para com Deus, gosto um pouco de a comparar à mulher
sirofenícia do Evangelho que, em favor da sua filha doente, insiste também
diante das respostas que parecem bruscas de Jesus e quer a todo custo conseguir
a cura da sua filha, com aquela liberdade que não a faz dizer: "Ah, olha,
Senhor, é verdade, tens razão, eu não pertenço à casa de Israel. Com licença, vou-me
embora." Não, não, ela insiste e persiste. Isto realmente ensina-nos a perseverança
e a confiança num Pai que nos salva. E também me parece que, além da
insistência, há este belo facto que é fundamentalmente a maternidade, isto é,
rezar como sendo ventres que continuamente geram vida.
Agostinho conta-nos sobre Mónica que ela havia criado os seus
filhos dando à luz tantas vezes quantas as que os viu afastar-se de Deus. Isto
diz que a oração parte da própria essência de uma realidade, que para Mónica
era a maternidade, sendo ela precisamente uma mulher que deseja a vida dos seus
filhos. E isto não nos separa também de uma oração que está ancorada no nosso
tecido vital, do nosso ser mulheres ou homens, sacerdotes ou consagrados,
mulheres casadas ou mulheres que vivem a castidade, mas ancoradas à sua
realidade. Portanto, uma mulher, mãe, Mónica, que insiste na vida e dá à luz e
gera, continuamente à vida, vida concreta, mas também vida na fé.
O que aprendeu Santa Mónica com
a oração?
Parece-me que Mónica fosse uma mulher que rezava muito. Agostinho
lembra-se dela quando passava um tempo em Milão a ouvir o bispo Ambrósio. E o
espaço que ele dedicava à escuta, à oração, deu a Mónica esse conhecimento,
essa Sabedoria que é precisamente o sabor da presença de Deus na sua vida e na
sua história.
Como cultivar a oração hoje?
Hoje é tão difícil rezar – porque estamos todos imersos numa
sociedade extremamente frenética e apressada – que parar e adorar o Santíssimo
Sacramento, ler as Escrituras, neste tempo livre, parece, precisamente, uma
perda de tempo; não é tempo explorável, não tem lucro. Cultivar a oração
significa, enquanto isso, aprender que somente tomando tempo, tomando espaço
durante o dia, chegaremos àquela Sabedoria que Mónica nos ensinou, que é a de
garantir que em todas as coisas que fazemos ali esteja aquela encarnação da
eternidade que Deus nos dá.
Depois há um espaço sagrado a preservar – a partir da
própria interioridade, da escuta da Palavra, de uma oração, também vocal,
daquela que é a forma pessoal de oração – mas para chegar a esta conexão com a
realidade, esta compreensão de toda a realidade, com sua fadigas e alegrias,
com as doenças e as dores, com as solidões e os vazios. É nesta realidade que
Deus nos fala. Para Mónica Deus falou precisamente através de um sofrimento que
era a distância de Agostinho de Deus, também de seu marido. E ele a levou a
assumir na oração este grito materno.
Assim, estar verdadeiramente ancorado à própria história, à
própria vida, faz com que a doação de espaços de silêncio torne a vida plena,
bela, cheia de Deus. Porque, nos lembra o próprio Agostinho, estamos inquietos,
temos um coração continuamente ansioso, preocupado, até que O encontramos, até
que descansamos n’Ele. Significa alcançar, trazer para cá, acolher aqui aquele
Paraíso e aquela eternidade que o Senhor quer nos dar em cada fragmento do dia.
Isto podemos aprender com a oração e podemos cultivar se aprendermos a
descobrir aquele desejo básico que é uma felicidade que habita em nós, que está
escrito em nossos corações. Assim, fazer florescer novamente este desejo que
habita em nosso coração significa então aprender, lentamente, a tomar tempo e
permanecer dentro desta bela escola da vida.
Tiziana Campisi, em Vatican News

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