«O Evangelho é o livro da vida do Senhor e está feito para se tornar o livro da nossa vida»


O Evangelho é o livro da vida do Senhor e está feito para se tornar o livro da nossa vida. Não foi feito para ser lido, mas para ser recebido em nós. Todas as suas palavras são Espírito e vida. Ágeis e livres, apenas esperam a avidez da nossa alma para nela se fundirem. Palavras vivas, são como o fermento inicial, que fecunda a nossa massa e a faz crescer com um estilo de vida novo. [...]

As palavras do Evangelho são milagrosas e, se não nos transformam, é porque não lhes pedimos que o façam. 

A verdade é que em cada frase de Jesus, em cada um dos seus exemplos, permanece o poder forte que curou, purificou e ressuscitou; desde que sejamos, perante Ele, como o paralítico e o centurião, de respondermos imediatamente e com obediência plena. [...] Ajudar-nos-á guardarmos em nós, no calor da nossa fé e da nossa esperança, a palavra à qual queremos obedecer; entre ela e a nossa vontade estabelecer-se-á então um pacto de vida.

Quando temos o Evangelho nas mãos, devemos pensar que nele habita o Verbo, que quer fazer-Se carne em nós, tomar conta de nós, para que, com o seu coração enxertado no nosso, com o seu espírito enxertado no nosso espírito, recomecemos a sua vida noutro sítio, noutro tempo, noutra sociedade humana. Aprofundar o Evangelho desta maneira significa renunciar à própria vida para receber um destino que tem a Cristo como forma.

«O Livro do Senhor», de Venerável Madaleine Delbrêl (1904-1964)
missionária das pessoas da rua
foi uma mística cristã, assistente social, ensaísta e poetisa

Ser apóstolo
Não somos nós que procuramos o apostolado, é ele que vem ter connosco. Tendo-nos amado primeiro, Deus tornou-nos apóstolos. Pois como poderíamos nós partilhar o pão, o teto e o coração com este próximo que faz parte da nossa carne sem fazermos transbordar para ele o amor do nosso Deus, quando este próximo não O conhece?

Sem Deus, tudo é miséria; ora, quem ama não tolera a miséria, e ainda menos a maior de todas. Como poderíamos não ser apostólicos, não ser missionários? Nesse caso, o que significaria pertencer a esse Deus que enviou o seu Filho para que o mundo seja salvo por Ele?

Como poderíamos deixar de evangelizar, se o Evangelho nos está na pele, nas mãos, no coração e na cabeça? Não podemos deixar de explicar porque tentamos ser aquilo que queremos ser, não ser aquilo que não queremos ser; somos claramente levados a pregar, uma vez que pregar é dizer publicamente qualquer coisa sobre Jesus Cristo, Deus e Senhor, e ninguém pode amá-lo e calar-se.

Para conhecer Madaleine Delbrêl:

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