Reflexão, pelo grupo de catequese, sobre o Evangelho de Mateus (capítulo 21) em que Jesus Cristo fala da fidelidade do Pai, apesar do seu povo ser infiel
Começam por avaliar o ambiente da sociedade atual:
- As crianças vão crescendo centradas apenas em si próprias,
mesmo depois da idade em que o devem fazer;
- os exemplos dos pais e educadores
nem sempre são os melhores;
- abandonam-se e agridem-se os mais velhos em lares,
hospitais, nas ruas, muitas vezes depois de uma vida inteira de sacrifícios e
dádiva pelos filhos, pelos netos...
- Urge uma consciencialização e a catequese é
o espaço ideal para realizar esta tarefa.
Cristina, Filipe, Inês e Joel parecem entusiasmados.
Matilde propõe-lhes ler um trecho do Evangelho de São Mateus:
«Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com
uma cerca, abriu nela um lagar e construiu uma torre. O proprietário arrendou a
vinha a uns vinhateiros e recomendou-lhes: “Tratem bem da vinha”, e partiu para
longe. Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos
vinhateiros para receber os frutos que lhe pertenciam. Os vinhateiros, porém,
agarraram os criados, espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. O
dono enviou outros, em maior número, mas trataram-nos da mesma maneira.
Finalmente, enviou-lhes o próprio filho, pensando: “Hão de respeitar o meu
filho.” Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: “Este é o
herdeiro, matemo-lo e fiquemos com a herança.” E, agarrando-o, lançaram-no fora
da vinha, e mataram-no» (Mt 21, 34-39).
No final da leitura, Cristina, com o seu característico
olhar vivaz, exclama com ar muito indignado e, simultaneamente, meio apavorado:
– Não sabia que a Bíblia também tinha histórias de terror...
– Infelizmente – explica Matilde –, não são apenas
historietas. Apesar de se tratar de uma parábola contada por São Mateus, a sede
de poder, dinheiro ou vingança repete na História global muitos destes
acontecimentos. O que poderiam dizer destes vinhateiros?
– Que são uns mal-agradecidos! – inflama-se Joel. – Então o
senhorio confia neles e eles querem armar-se em donos de tudo?!...
– E ainda matam uns atrás dos outros, incluindo o filho do
proprietário com uma maldade extrema... – completa Inês.
Filipe remata:
– Não tinham consideração nenhuma pelo dono, apesar de ele
lhes ter dado trabalho e ter posto tudo nas mãos deles quando foi de viagem...
Que ingratos! Não mereciam nada: nem terras nem confiança nenhuma!
Matilde leu mais uma frase do excerto de Mateus:
«O que é que o dono da vinha, quando regressar, fará àqueles
vinhateiros?» (Mt 21, 40)
– Se alguém matasse os meus pais, eu acabava com ele! –
vocifera Joel, algo alterado.
– Eu também! – anui Inês.
– Vamos entrar na bíblia_app e tentar ver as coisas a partir
de Deus, com o olhar dele e não o nosso – sugere Matilde.
Abrem os tablets e
aparece o Pai enlutado, pronto a responder à pertinente questão da Inês:
– Porque é que não resolveu logo o assunto quando os
vinhateiros mataram os seus primeiros servos? E ainda mais depois dos segundos
terem sido mortos também?!
O senhor, já com uma respeitável barba branca, de sabedoria
e calma, explica:
– Entendi que devia dar-lhes uma segunda oportunidade para
se redimirem. Talvez tivessem sido apenas vítimas de um ataque súbito de
ganância, voltando a si de seguida, arrependendo-se e reconsiderando...
– Mas isso não aconteceu e mandou lá o seu filho... Ainda
confiava neles depois de tudo?!
O homem deu uma resposta desconcertante, que pôs termo ao
diálogo:
– Deus alguma vez desistiu da Humanidade apesar de esta ter
quebrado tantas vezes a aliança que Ele estabeleceu com ela?
Matilde remata:
– É verdade que não podemos deitar fora a única água que
temos para beber, como ilustra esta narrativa. E é igualmente certo que em vez
de lamentar o mal, tem de se lutar para dar a volta às coisas... e não perder
as pessoas!
Pensa nisto
O que significa para ti a frase «Sentir gratidão por alguém
e não lho manifestar é como embrulhar um presente e não o dar»?
Quando nos agarramos ao mal que nos é ou pode ser feito ao
invés de ver e aceitar o bem que nos oferecem, estamos a ser gratos ou ingratos?
Porque é que uma pessoa grata é mais feliz?
Maria José Mendonça, em revista Audácia

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