No dia 26 de outubro de 1975, há 45 anos, Setúbal acolhia o seu primeiro bispo, D. Manuel Martins! Um momento único e inolvidável para a Igreja e para o País. A sua chegada a Setúbal em pleno “verão quente de 1975” moldou para sempre o projeto do bispo vindo do Porto para ser o cabouqueiro da nova diocese.
Discípulo fiel do bispo exilado por Salazar, D. António Ferreira Gomes, o novo bispo conhecia bem o que significava defender os direitos da pessoa humana, os valores da liberdade e da justiça social.
A manifestação junto à Igreja de Santa Maria, elevada a Catedral, marcou de forma indelével o seu serviço em terras do Sado.
São dele as palavras que nunca poderemos esquecer quando nos referirmos a este pastor visionário e pró-activo no seio do episcopado português: «Nasci bispo em Setúbal! Agora sou de Setúbal! Aqui anunciarei o Evangelho da liberdade e da justiça!»
D.Manuel Martins foi nomeado bispo pelo Papa Paulo VI, um dos grandes papas do século XX que remaram contra ventos e marés para levar os novos desafios do Concílio à Igreja e à Sociedade. Uma Igreja que faz suas as aspirações e os sofrimentos da humanidade, uma Igreja que caminha com todos, sem excluir. Este foi um dos grandes legados de D. Manuel, tão ao jeito das prioridades pastorais do papa Francisco.
Com D. Manuel, Setúbal tornou-se uma Igreja em saída, incomodada e desinstalada ao serviço dos pobres, dos desempregados, dos sem-abrigo e dos silenciosos que sofriam a fome, vítimas do desemprego cego e cruel que apenas conhecia os interesses dos poderosos.
Há 45 anos, nasceu um bispo que depressa aprendeu a conhecer o “cheiro das ovelhas” que lhe foram confiadas e que dele se abeiravam confiantes no poder da sua voz de denúncia e na força da solidariedade de que impregnou Setúbal e as suas gentes.
Hoje é dia de agradecer o dom deste bispo, da sua audácia e do seu amor aos irmãos que nos marcou de modo único e tão ao jeito de Jesus.
Aqueles que o conhecemos e com ele privámos seremos gratos para sempre por esta dádiva de vida gasta ao serviço do Reino de Deus que anunciou a tempo e a contra-tempo.
Obrigado, D. Manuel Martins!
Albertino Silva, cidadão de Setúbal
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