Jesus Cristo diz-nos, hoje, «bem-aventurados sereis...» Quem e como somos hoje estes «felizes»?

Na Solenidade de Todos os Santos, a Igreja, com o 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 1-12a), apresenta-nos Jesus a apelar para os bem-aventurados. Quem são estes felizes? 

- Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus!
Quem são os pobres em espírito? São aquelas pessoas que têm o mesmo espírito de Jesus, que praticam a vontade de Deus. Como descobrir qual é o sonho Deus? É ir ao encontro das bem-aventuranças!

Felizes os mansos porque possuirão a terra!
Como identificar quem são esses felizes que possuirão a terra?
Nesse sentido, como diz o papa Francisco na carta encíclica Laudato Si’ nº 146, é indispensável prestar uma atenção nas comunidades indígenas...quando permanecem em seus territórios, são eles, os indígenas que nos ensinam que a nossa relação com a terra deve ser com respeito, que ela é um ser vivo, que sente, respira, é nossa mãe, pois nos sustenta fornecendo água, alimentos e remédios que curam e previnem diversas doenças. Para os povos indígenas terra é dom de Deus, não é para ser explorada por projetos econômicos que destroem a natureza. Felizes os que dizem sim à vida apoiando às demarcações das terras indígenas e quilombolas, porque assim é uma forma de viver o reino de Deus. A terra cuidada com mansidão e respeito nos abençoará abundantemente.

- Felizes os aflitos porque serão consolados!
Os aflitos de hoje são muitos em nossa sociedade. Há muitos choros e lutos espalhados em todos os continentes. Jesus nos convida a enxugar o pranto de quem está próximo de nós. A consolação acontece quando nos damos às mãos e nos ajudamos mutuamente; somos felizes, porque Jesus devolve a saúde física, mental, social e espiritual e nos ensina que devemos fazer o mesmo, através de iniciativas que promovem a saúde integral.

- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
Jesus alerta para buscarmos em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça.
A justiça de Deus pode ser entendida como promover e garantir uma distribuição justa da economia, para que não haja mais necessitados entre nós. Felizes os que buscam novas alternativas de energias renováveis, limpas e justas ao planeta. Felizes as recicladoras e os recicladores, verdadeiros profetas e profetisas da ecologia.

- Felizes os misericordiosos porque alcançarão a misericórdia!
Ter compaixão é não ficar indiferente diante dos sofrimentos de nossos irmãos. Felizes os que cuidam da vida dos idosos, e dos mais vulneráveis e esquecidos de nossa sociedade.

- Felizes os puros de coração porque verão a Deus!
São as pessoas honestas e justas que não usam palavras para enganar, não roubam e nem desviam o que pertence aos pobres. Em tempo de eleições discernir bem é fundamental. Saber identificar candidatos e candidatas que atuem com honestidade, e comprometidos em ações com a justiça social e ecológica.

- Felizes os que promovem a paz porque serão chamados filhos e filhas de Deus!
A paz nasce no encontro com o próximo, Jesus nos convida a nos colocar no lugar da outra pessoa: “Façam as pessoas o mesmo que vocês desejam que elas façam a vocês” (Mt 7,12).
A paz verdadeira deixa espaço para a outra pessoa crescer enquanto eu diminuo, isto é, escutar novas iniciativas vendo nessas oportunidades de aprendizagem, deixando o novo fluir. Também, saber acolher a fé e a espiritualidade do diferente, pois no reino dos céus, a Ruah Divina sopra livremente. Felizes os que buscam o diálogo, a reconciliação, o perdão, e o amor desde o cotidiano até os quatro cantos do planeta.

- Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus!
Os pobres em espírito são os que vivem essa prática das bem-aventuranças, e por isso muitos são perseguido, mas são felizes porque acreditam que o reinado de Deus começa aqui, no dia-dia, são capazes, com a graça de Deus, de deixar atitudes superficiais, que os mantém na zona de conforto, para ações necessárias que respondam aos apelos de todos os crucificados que se encontram além dos templos e muralhas de hoje.

Rabeca Peres da Silva, leiga, teóloga

Comentários