A aldeia de Palaçoulo, em Miranda do Douro, Bragança, acolhe, desde este mês de outubro de 2020, o Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja, onde vão estar quarenta monjas da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), também conhecidas por irmãs Trapistas. As religiosas vão dedicar-se à contemplação e a actividades agrícolas.
Há 128 anos que não se construía um mosteiro em Portugal.
O Mosteiro fica situado numa área de 30 hectares, em terrenos que foram doados pela população de Palaçoulo. Além de uma Igreja, a obra inclui uma hospedaria, um claustro para oração e áreas dedicadas ao cultivo e à pecuária, uma vez que as monjas pretendem ser autossuficientes.
As monjas justificam a escolha para a localização do Mosteiro com “a generosidade dos fiéis de Palaçoulo” que doaram o terreno e com o “pedido do Monsenhor José Cordeiro, bispo da diocese de Bragança-Miranda”, que estava “ansioso por ter um mosteiro na diocese que testemunhe a centralidade da vida evangélica e litúrgica”. A devoção a Nossa Senhora de Fátima também explica a escolha.
D. José Cordeiro já afirmou que voltar a ter um “mosteiro beneditino, 472 anos depois do encerramento do mosteiro de Castro de Avelãs”, é um “pequeno milagre”. E fez notar que «desde a construção do Mosteiro de São Bento de Singeverga, em Santo Tirso, há 128 anos, que não se construía um mosteiro em Portugal».
As monjas estão preparadas para comunicar com os habitantes locais, uma vez que já terão aprendido a falar e a escrever as línguas portuguesa e mirandesa.
O bispo da diocese de Bragança–Miranda, José Cordeiro, defendeu que o futuro mosteiro trapista vai contribuir para a coesão territorial do Nordeste Transmontano, o turismo religioso na região e as vocações: «Temos já muitos pedidos de pessoas de Portugal e de Espanha para vir conhecer o mosteiro e acredito que existem muitos jovens a inquietar-se para perguntar pela vida monástica», disse o prelado por ocasião de uma visita às obras.
Segundo José Cordeiro, o mosteiro, ao ser construído em tempos de pandemia, pode ser encarado como uma resposta a tempos difíceis, “porque quem aqui vier vai sentir uma paz no seu coração”.
Esta ordem religiosa (ligada ao Mosteiro de Vitorchiano, em Itália) vem para Portugal “e está vocacionada para a vida contemplativa”, trazendo ao Nordeste Transmontano “uma mensagem de paz para todos aqueles que aqui se deslocarem, o que obriga as pessoas a virem cá em busca do silêncio, da fé e da contemplação”, referiu o bispo, em junho de 2019.
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