Vida fraternitas: Maria da Graça Murta Varela Alves de Sousa partiu para a Casa do Pai

Maria da Graça Murta Varela Alves de Sousa n
asceu em 18-07-1944 em Condeixa-a-Nova, Coimbra.

Do matrimónio com Serafim Alves de Sousa, padre dispensado do ministério, há dois filhos: Rui Pedro (o mais velho) e Artur Guilherme.

São sócios fundadores (n.º 11) da Associação FRATERNITAS Movimento.

Exerceu como médica psiquiatra.

Faleceu no dia 5 de outubro de 2020.

Homenagens
Caro Serafim,

Sabes bem que eu conheci a Graça por volta de 1973-74, quando ela estava a fazer a sua especialidade em Psiquiatria e eu a fazer o meu estágio académico em Psicologia Clínica, no Hospital Miguel Bombarda, no mesmo contexto clínico e com o mesmo Orientador, muito antes de te conhecer a ti e de saber que eras o seu marido.

Posteriormente encontramo-nos outra vez — a Graça e eu — a trabalhar nos organismos ditos de "combate" às drogas.

Sempre admirei a Graça pela sua simplicidade, bondade, delicadeza, discrição, passando despercebida aparentemente. NUNCA alguma vez desenvolvi, tive uma IMAGEM negativa da Graça, como pessoa, como colega de trabalho, ou como amiga. Ela foi para mim um exemplo, um testemunho de vida na simplicidade e de bondade.

Era uma pessoa atenta, dedicada, interessada… Ainda há alguns dias, como sabes, falando com ela ao telefone sobre toxicodependência, comprometi-me e enviei-lhe um artigo de uma sobrinha minha, descrevendo investigação científica em curso sobre a potencial capacidade do sistema imunológico humano em destruir o vírus da SIDA, área em que ela trabalhou.

Foste um homem abençoado pelo PAI, pela companheira de vida que te proporcionou!

Tenho estado a acompanhar os e-mails, que te enviaram, bem como as mensagens enviadas através da WhatsApp. A ausência da sua discreta maneira de ser e da sua ternura atraiu sobre ti a necessidade de exprimirmos a nossa presença para tentarmos suavizar a dureza da sua AUSÊNCIA na ESPERANÇA do nosso REENCONTRO…

Um grande abraço.
Jorge da Silva Ribeiro

À Graça

Uma mãe
Uma avó
Minha sogra… Graça

E com graça conduziste a tua vida
Cercada pelos teus meninos: um marido amoroso e dois filhos maravilhosos
Tu docemente chamaste-lhes «os teus elefantes»
Enquanto eles tropeçavam em torno de ti, fazendo todo o movimento e comoção
Vozes altas, sons elevados cercaram o teu pequeno reino
Tu falaste com eles com paciência e suavidade, já que os teus ouvidos não pareciam funcionar muito bem
E, no entanto, o teu raro, distinto e lento “Olhar!” sempre foi o suficiente para lhes fazer prestar atenção

Tu incondicionalmente deste-lhes o teu coração

E eles adoraram-te, todos nós te adorámos

Eles amavam-te, todos nós te amámos

Eles vão sentir a tua falta, todos nós vamos

Vou sentir falta dos nossos chats

Saudades das tuas histórias de infância e das narrativas sobre o teu querido cachorro pequinês

Sentirei a falta dos teus telefonemas para o nosso picachu: Pistache 

Saudades das nossas noites de conhaque e das risadinhas femininas que se seguiam

Sentirei saudades das nossas viagens às compras, onde tudo o que escolhia era brilhante demais para o teu gosto

Sentirei saudades dos teus deliciosos camarões alla busara antes de viajarmos para casa após cada visita

Sentirei saudades do teu divino bacalhau no Natal e na Páscoa 

Vou sentir falta do teu olhar atrevido tentando ler os meus pensamentos

O teu lado psiquiátrico sempre a trair-te, entrando sorrateiramente

Sentirei falta de como defendia o teu marido travesso não importa em que

Vou sentir falta dos docinhos que tu escondias na tua mesa de cabeceira

Vou sentir falta de comprar chocolate que nunca era sufiecientemente bom

Vou até sentir falta dos teus comentários irónicos

Dizias poucas palavras, mas elas iam sempre diretas ao ponto

Vou sentir falta daquela costeleta de porco descongelando no dia da minha partida  

Vou sentir falta das sardinhas assadas que dividimos no Edmundo

Vou sentir falta dos nossos passeios em Serafina

Vou sentir falta das nossas aventuras em Copenhaga, Budapeste, Dubai e Lisboa

Vou sentir falta de ti a ensinar-me expressões engraçadas em português  

Vou sentir falta da tua gentil compaixão 

Vou sentir falta da tua risada chorosa

Tu escutaste sempre, esse foi o teu presente para o mundo

Tu estava no melhor do tempo silencioso

E deixaste o mundo do modo que o viveste

Pacífica e tranquila 

Eu sentirei muito a tua falta

Portugal nunca seria o mesmo sem ti 

Para a minha sogra

Para a minha amiga

Para uma mulher que viveu a vida com leveza no coração

Mais um gole de brandy

Um brinde 

à Minha amiga querida

Comentários