O tempo litúrgico chamado Advento propicia-nos encontros com personagens muito importantes para o nosso crescimento espiritual. São pessoas que nos precederam na Tradição viva que preparou a chegada do Reino de Deus entre nós.
1.º encontro: os Profetas.
Jesus é o Messias longamente esperado pelo povo hebreu. A história do messianismo deita as suas raízes no século IX antes de Cristo, quando encontramos o profeta Natan, no tempo do rei David. A sua profecia de que seria estabelecida uma dinastia davídica, para a qual Deus seria como Pai (cf. 2 Sm 7, 1-17) pode ser considerada o primeiro elo de uma extensa cadeia de profecias messiânicas sobre o filho de David. Apesar de todos os males, Deus enviaria o seu Messias (esta palavra hebraica foi traduzida para o grego "Cristós", ambas significando "ungido", característica dos reis de Israel), para salvar a nação.
João Batista foi o precursor. Também ele foi profeta, "e mais que profeta", como disse Jesus (Mt 11, 9). Ele veio preparar o caminho do Senhor e foi capaz de reconhecer a presença do Messias entre nós. Por isso o encontro com João Batista nos avizinha ainda mais da presença de Jesus. João Batista faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, e põe-nos na escola da conversão, da mudança de vida para acolher o Reino do Cristo-Messias.
Nossa Senhora não poderia faltar ao nosso encontro na preparação do Natal. Graças a ela foi possível o mistério da Encarnação do Verbo. Pois "quando chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher" (Gl 4,4). De facto, ninguém melhor do que Maria Santíssima para nos preparar para o Natal de seu Filho. Maria, na vida cristã, será sempre aquela que nos diz: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5).
Toda a preparação do Advento destina-se ao encontro com a pessoa divina do Menino-Deus. A esperança messiânica acalentada pelos profetas, a mudança de vida pregada por João Batista e a suavíssima proteção da Mãe de Deus conduzem-nos ao que há de mais importante em nossas vidas: o amor a Deus, por Jesus Cristo, daí decorrendo o amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados, sem o que o nosso amor seria incompleto. De fato, foi entre os pobres que nasceu Jesus, longe dos ouropéis do fausto e do poder.
Parece ser este o sentido do Natal: Deus invisível e incorpóreo
desce até nós, não somente para tornar-se visível e nos visitar em nossa
própria carne, mas para habitar conosco, de modo definitivo, fazendo-nos
contemplar a sua glória (cf Jo 1,14).
Na festa do Natal queremos assumir o supremo presente que o
desígnio de Deus nos reservou. De modo semelhante a Maria, também nós somos o
receptáculo de Deus. Como nos ensinou um grande teólogo do séc. II, Santo
Irineu, bispo de Lyon (Contra as Heresias 3,20; SC 34,342):
A glória do homem é Deus,
mas o receptáculo das obras de Deus e da sua sabedoria e poder é o homem.
Esses encontros poderão colocar-nos num dinamismo que
reforçará a nossa caminhada comum como Igreja, isto é, como comunidade. Que
adiantaria prepararmo-nos para o Natal se esse itinerário não nos conduzisse ao
encontro com a nossa família, com nossos
semelhantes e com os que mais necessitados? Não é neles que Jesus Cristo se
manifesta para cada um de nós?
mas o receptáculo das obras de Deus e da sua sabedoria e poder é o homem.

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