Não queremos que a cidadania seja infetada por uma ideologia que produzirá doenças sociais

"Analisava hoje as respostas a um questionário para professores sobre a componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento" - escreveu Bento Oliveira, professor de EMRC, na sua página de Facebool -
, "e, sem surpresa, percebi que continua bem atual e avisado um texto de 2002 do P.e Perrenoud e da Mónica Thurler":

«Não é possível formar professores sem fazer escolhas ideológicas. Conforme o modelo de sociedade e de ser humano que defendemos, não atribuiremos as mesmas finalidades à escola e, portanto não definiremos da mesma maneira o papel dos professores.

Eventualmente, podemos formar químicos, contabilistas ou técnicos em informática abstraindo-nos das finalidades das empresas que os contratarão.

Podemos dizer, um pouco cinicamente, que um bom químico vai continuar sendo um bom químico tanto fabrique medicamentos ou drogas.

Que um bom contabilista vai saber lavar dinheiro como vai saber aumentar o capital de uma organização comunitária.

Que um bom técnico em informática poderá servir tão eficazmente a máfia como a justiça. 

As finalidades do sistema educativo e as competências dos professores não podem ser dissociadas tão facilmente.

Não privilegiamos a mesma figura do professor se desejamos uma escola que desenvolva a AUTONOMIA ou o conformismo,

a ABERTURA DO MUNDO ou o nacionalismo,

A TOLERÂNCIA ou o desprezo por outras culturas,

o GOSTO PELO RISCO INTELECTUAL ou a procura de certezas, 

o ESPÍRITO DE PESQUISA ou o dogmatismo,

o SENTIDO DE COOPERAÇÃO ou a competição,

a SOLIDARIEDADE ou o individualismo.»

(P. Perrenoud e Monica Thurler  in As competências para ensinar no século XXI - Artmed,  2002)"

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