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É tempo de Natal, é tempo de atitudes de Natal
Que
alegria e que azáfama reinam por aí, caros amigos!
É
tempo de Natal, vivido de forma única, como só nós, portugueses, o sabemos.
Razão
tem o poeta ao afirmar naquela quadra, que ouvimos um dia e gostámos de entoar:
«Chegou
Dezembro, é Natal!
E
o povo vive com fé!
Pois
no presépio que é Portugal,
Há
um encanto maior.»
Sim,
o Natal tem para todos um encanto, uma mística que adivinhamos, sentimos,
enternece-nos; mas não somos capazes de passar ao papel.
Lá
fora neva, chove, faz frio; mas dentro das casas, por mais pobres e humildes
que sejam, há um mínimo de conforto, alegria e paz nos corações, transmitidos
por aquela imagem rechonchuda do Menino colocada em lugar de destaque.
É
Ele, o Emanuel, que nos vem visitar mais uma vez e todos nós gostamos de
preparar a nossa habitação e o nosso coração de forma a receber dignamente o
Deus Connosco.
São
as grande limpezas nos lares e as decorações alusivas nas ruas e praças das
nossas cidades, os cartões a enviar aos familiares e amigos, que a distância
não separa, o recordar aqueles que já celebram o nascimento de Jesus na Pátria
Celeste, o preparar das iguarias e dos doces próprios da época festiva, o
passar a mão pela face das crianças menos favorecidas, o estar atento aos
marginalizados, aos idosos e a todos os que se encontram sós, quando as
famílias se reúnem para comemorar o grande mistério de um Deus que, por amor à
humanidade, assume a natureza humana e vem fazer morada no meio dos irmãos.
Enfim,
é tanta, tanta a tradição e tanto o que fazemos por estes dias, que se fossem
registados em livro dariam certamente um volumoso compêndio, rico em conteúdo e
em ideais, precioso guia para as gerações vindouras.
Deixemos,
porém, esses acessórios, que gostamos e procuramos manter, descobrindo o
essencial da mensagem natalícia.
Deus
é amor, amigo das suas criaturas e apesar de por vezes parecer distante, está
sempre perto.
É
tempo de sermos novos samaritanos e vermos nos outros a imagem sofrida de
Jesus, que caminha connosco para o calvário.
Pratiquemos
o bem, sem olharmos a quem, meditando nas palavras sábias:
- Há
mais alegria em dar, do que em receber!
Quem
dá ajuda, espalha o bem, suaviza a vida amarga dos companheiros de jornada,
lança flores em seu caminho, ficando com o perfume nas mãos.
Armemos
o nosso presépio à moda tradicional da nossa região, participemos ativamente
nas atividades que as comunidades promovem em louvor de Deus feito Menino e
abramos o nosso coração ao Príncipe da Paz, ao Conselheiro Admirável que, como
criança terna, pobre e indefesa, nos bate à porta.
«É
tempo de ser esperança.
É
tempo de comunicar
É
tempo de ser testemunha de Deus
Neste
mundo que não sabe amar.»
Cada
Natal que vivemos é mais uma oportunidade que Deus nos concede para nos
encontrarmos com Ele e com os irmãos, na fraternidade cristã.
José
Firmino Gonçalves Câmara
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