A entrada de Deus na História humana fez-se no seio de uma
família. Bastaria isso para termos presente como a realidade familiar é a célula-base da
sociedade e a principal garante da transmissão da fé.
O Papa São João XXIII, pessoa admirável de bondade e simplicidade, que marcou profundamente a Igreja do século XX com a sua ânsia de renovação da Igreja e de coerência com o Evangelho, numa carta dirigida aos seus pais, escreveu este lindo testemunho:
«Desde que saí de casa, aos
dez anos, li muitos livros e aprendi muitas coisas que vós não poderieis
ensinar-me. Mas as coisas que aprendi de vós, meus pais, são ainda as mais
preciosas e importantes que possuo e as que sustentam e dão vida e calor às
outras coisas que aprendi depois.»
De algum modo, todos nos revemos neste testemunho que o Papa João XXIII dirige a seus pais, e damos conta que o ambiente familiar em que crescemos teve uma influência muito importante na nossa maneira de ser e de agir. De facto, nada nem ninguém nos marca tão profundamente – para o bem ou para o mal – como a família onde nascemos e crescemos. A família é a escola mais importante que nos molda para toda a vida e que nos dá um sentido profundo de pertença e de identidade pessoal. É nesta escola da vida onde se aprende a convivência, o respeito pelas diferenças, o sentido de responsabilidade face ao bem comum e de solidariedade especialmente em relação aos mais pequenos e aos mais frágeis.
No que diz respeito à dimensão espiritual da vida, a família pode ser uma escola de santos ou uma escola de ateus. A família que abre o coração ao dom da Fé, torna-se “Igreja doméstica” onde a Palavra de Deus habita e onde os sentimentos de Cristo se tornam os sentimentos de cada um.
Fica claro que a família é muito mais do que um simples grupo de pessoas a viver sob um mesmo telhado. Na família, como em outras coisas, o essencial é invisível para os olhos. Aqui o essencial é o Espírito que as habita, as reúne e as anima. São Paulo mostra-nos o estilo de vida a que somos chamados como cristãos: “Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e penitência. Perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Acima de tudo, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo.” (Col. 3,12-14).
P.e Dário B. Chaves, missionário comboniano

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