Jesus Cristo, da encarnação à ressurreição, é trampolim que faz antecipar o mundo futuro já a partir daqui


Deus anunciou a Maria, imagem da Igreja e da Humanidade:
“O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. e a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível”.
Maria disse então: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”» (Mt 21, 28-32).
 
E Jesus encarnou e todos puderam vê-lo, ouvi-lo, segui-lo, aprender com Ele a ser filhos e filhas de Deus como Ele é.
 
No ato derradeiro de Jesus Cristo entre nós, ressuscitado, Ele mostrou-Se a Maria Madalena e esta foi a correr anunciar: «O Senhor ressuscitou!»
 
«O Senhor Ressuscitou» é um grito de fé! É uma profissão de fé.
 
«O Senhor Ressuscitou» é trampolim que me faz antecipar o mundo futuro, que somos chamados a construir já a partir daqui...
 
Há dias, participei nas exéquias de um padre amigo. Um bispo presidiu. Falou-se da palavra de Deus, teoricamente. Depois, lamentando a falta de padres, o bispo confiou uma paróquia a um padre que já serve três… Um outro padre assume a outra paróquia... e assim vão as coisas!. Tudo bem? Não! Estamos numa práxis de tapar furos.
 
Não se olha à situação crítica da penúria espiritual dos cristãos. Também não se tem em conta as condições humanas destes servidores das comunidades. Que fazer? Precisamos de opções de fundo e sérias. Não é possível alimentar esta Igreja espartilhada. «Vinho novo em odres novos!» — é palavra do Senhor e é desafio.
 
«O Senhor Ressuscitou» — é certeza na fé. Estes esquemas eclesiais, estas decisões de homens importantes na Igreja não se aguentarão. Estão lançadas ao fracasso. Temos vindo a constatar que tudo isso se desmorona. Precisamos de soluções audaciosas.
 
«O Senhor ressuscitou!» — é a certeza de que isto há de mudar. Não estou triste, apreensivo. Estou expectante. Vivi intensamente o Vaticano II. Depois assisti com pesar ao seu esquecimento. Agora, os tempos novos do Papa Francisco animaram a chamazinha latente. Que nos reserva o futuro? O Papa Francisco concretizará algum coisa? Não posso adivinhar.
 
Mas isto até pode vir outra vez para trás, as leis são facilmente alteráveis, mas nada anula a força da razão. Reparemos: o Vaticano II estava em cinzas. De um momento para o outro aparece com uma força nova. Tudo se revitaliza; todos se animam e ganham fôlego.
Eu continuo a esperar. Não estou só. A Fraternitas também espera. O Senhor cantou vitória, quando tudo desmoronava. O Senhor é o mesmo. O Espírito continua a sua ação inovadora. A Igreja continua a pedir que Ele «…renove a face da terra». Parece contradição!
 
Eu acredito. Pode demorar. Até posso não ver. Mas não tenho dúvida: «O Senhor ressuscitou!» A vitória está garantida!
 
Joaquim Soares, sócio da Associação Fraternitas Movimento n.º 72

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