Natal: importa se Jesus nasceu no inverno, verão, outono ou primavera?

Mais uma vez é Natal!

Mais uma vez as pessoas cheias de boa vontade e nobres intenções celebram o mistério infindo de um Deus que, por amor à humanidade, vem à terra nascer pobre numa gruta nas serranias de Belém, para, trinta anos depois, imolar a vida no madeiro infame erguido no Gólgota!

Que importa se Jesus nasceu no verão, no outono ou em qualquer outra época do ano?!... O que importa, sim – e é de louvar –, é que a Humanidade, grata, escolheu uma data para agradecer ao Emanuel, ao Deus Connosco, o ter tomado a natureza humana, ter-se feito um de nós, igual em tudo, excepto no pecado, para nos redimir a nós, seus irmãos.

E nós quedamo-nos, extasiado e embevecidos, perante a profundidade e a grandeza deste mistério que a capacidade humana não pode atingir.

E esta gratidão a quem nos deu tudo leva-nos a sermos mais irmãos, mais amigos, daqueles a quem a má sorte ou os infortúnios da vida batem à porta e a viver por uns dias o céu na terra.

Que ternura encerram os nossos presépios, feitos com arte ou mesmo os rudimentares!

Mãos de artistas mais ou menos hábeis deram o seu melhor naquelas maravilhas que contemplamos e meditamos!

Lá estão as figuras tradicionais, veneradas e sagradas, confeccionadas em material diverso!

O Menino nas palhinhas, a virgem, São José, a vaca, o burro, os pastores com as suas ofertas, as ovelhas, os anjos e os reis magos com o seu ouro, o seu incenso e a sua mirra.

Cá fora, na nossa cidade, vila ou aldeia, na nossa casa e, sobretudo, no nosso coração, outro presépio também se ergue, quando nós queremos!

É tão forte e tão grande, que ninguém pode destruir!

É o presépio do amor!

Entremos, então, nessa gruta imensa, onde cabe o mundo, com o coração agradecido, a louvar o Senhor, Menino Deus, que despidinho e de braços abertos aguarda o nosso abraço de reconciliação com Ele e com os irmãos de jornada.
 
«Dou-vos uma grande alegria: Hoje, em Belém, na cidade de David, nasceu para vós o Salvador, Cristo, Senhor!»
 
José Firmino Câmara, jornalista, Funchal

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