Um presente para pedir a Deus
Peço o dom de estar mais consciente das bênçãos que a minha casa ou o meu lar oferecem, e das necessidades daqueles que não são tão afortunados.
Uma reflexão para o caminho
"In the bleak midwinter", o poema de Christina Rossetti que se tornou num popular cântico de Natal, diz da terra que é «dura como ferro», da «água [que é] como pedra», e da neve que é profunda sem fim. É em alturas como estas que passo realmente a apreciar o abrigo que a minha casa oferece, e talvez me torne mais conscientes dos sem-abrigo e daqueles que são obrigados a viver numa habitação sem condições.
Uma peregrinação, especialmente quando é feita no inverno, centrará a atenção na procura de abrigo. Onde é que eu vou encontrar alojamentos, e como é que eles serão? Terei dinheiro suficiente para os alugar? E com quem é que eu os terei de partilhar? Com os confortos da casa para trás, poderá ser agradável para si verificar que, ao contrário do que esperava, é possível contentar-se com recursos e condições básicas; ou então, talvez cresça o seu sentimento de gratidão pelas muitas coisas que habitualmente tem como garantidas.
Ainda que esta peregrinação de Advento não seja uma viagem física, poderá ser bom rezar sobre algumas destas questões. De que é que realmente preciso para ter uma vida razoavelmente confortável? Haverá excessos no meu estilo de vida que poderia ser útil afastar? Talvez consiga descobrir formas pelas quais algumas das pessoas que não têm um abrigo em condições – os pobres, os sem-abrigo, os exilados e refugiados – possam beneficiar com o meu excedente.
Uma passagem bíblica para o caminho
Os Evangelhos sugerem que, durante a sua vida pública, Jesus tinha um lugar em Cafarnaum que ele via como "casa". No entanto, a sua oração levou-o a longas viagens pela Palestina, e nessas ocasiões ele sentia, por vezes, a falta de abrigo. Ele desafiou um possível discípulo com estas palavras:
«As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» (Mateus 8, 20)
Apesar de ter amigos à sua volta e poder contar com a hospitalidade de benfeitores como Maria, Marta e Lázaro, Jesus sabia como era desconhecer onde iria passar cada noite. Há alguma coisa no meu passado que corresponda a esta experiência? Como é que me senti então, e o que é que recordar esses tempos me diz hoje?
Jesus,
quando viajavas pelas estradas da Galileia e Judeia,
sabias o que era não ter abrigo,
e ter de confiar na generosidade de outros para ser recebido.
Ajuda-me a apreciar mais profundamente o lugar a que chamo "casa",
e a chegar àqueles
que partilham hoje a tua experiência.
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