De guarda ao banco do jardim, ou «tradições que seguimos sem interrogar o seu sentido ou a sua finalidade»
Num jardim público estavam dois soldados a guardar um banco, não deixando que ninguém se sentasse. Durante anos a fio, passaram por ali milhares de pessoas, e os soldados faziam o seu turno e eram rendidos por outros.
Um dia, um homem, a transpirar de
esforço, procurou um banco que estivesse disponível e só encontrou vago aquele
que era guardado pelos militares. Insistiu para que o deixassem descansar um
pouco. De nada adiantou. Tinham ordem para não deixar sentar ninguém.
Mas qual era o sentido? Aquele era
um banco de jardim igual a todos os outros. Depois do respetivo turno, os
sentinelas, intrigados, decidiram esclarecer tudo.
Mas ninguém sabia, nem os mais
graduados. Era uma rotina que tinha anos. Todos os dias na ordem de serviço
estava a guarda ao banco de jardim.
Pesquisaram, então, nos arquivos e
verificaram que tinha sido um pedido da junta de freguesia, que tinha mandado
pintar os bancos e tinha pedido ao quartel para fazerem barreira àquele banco
para que ninguém se sentasse com a tinta fresca e estragasse a roupa. Era uma
ordem para algumas horas.
Afinal, a razão de ser da
sentinela ao banco de jardim já não tinha sentido há muito, muito tempo. Mas ninguém
se interrogara, nem as classes dirigentes, nem os soldados, nem os transeuntes...
Moral
da história: Assim acontece com tradições que
seguimos sem interrogar o seu sentido ou a sua finalidade…

Como é verdade em tantas coisas da nossa vida!...
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