1. Mc 1, 21-29): Jesus em Cafarnaum, de madrugada a madrugada.
Depois de entrarem [Jesus e os seus discípulos; ninguém como Marcos vincula Jesus aos seus discípulos] em Cafarnaum, na manhã de sábado, entra Jesus na sinagoga local e ensina (Mc 1,21).
Ei-los agora que saem [Jesus e os seus discípulos: verbo no plural] da sinagoga e entram na casa de Simão e de André (Mc 1,29).
Trata-se de um «relato de começo». Saindo da casa antiga, entram, uns 30 metros a sul, na casa nova, de Pedro.
A sogra de Simão está deitada com febre. Jesus segura-lhe (kratéo) na mão (Mc 1,31), expressão lindíssima que indica no Antigo Testamento o gesto protector com que Deus protege o orante (SL 73,23), Israel (Is 41,13), o seu servo (Is 42,6). E a sogra de Simão «levantou-se» (êgeírô), verbo da ressurreição, e pôs-se a servi-los (diêkónei: imperfeito de diakonéô} de forma continuada, como indica o uso do verbo no imperfeito.
A sogra de Simão é uma das sete mulheres que, nos evangelhos, «servem» Jesus e os outros. Ela é bem a figura da comunidade cristã nascente, que passa da escravidão à liberdade, da morte à vida, gerada, protegida, guardada e edificada por Jesus no lugar seguro da casa de Pedro.
Dom António Couto, bispo de
Lamego

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