Era
uma vez… um improvável Amor...
...uma menina de 16 anos e o pároco da sua aldeia...
Este, já homem feito, conseguiu que a moçarada toda, fizesse com ele um só corpo apostólico… Foram 3 anos de muita cumplicidade na missão de evangelizar as gentes do meu Alentejo. Também de muitos livros lidos, trocados e conversados. De muitos horizontes abertos.
A certa altura, começámos 2 meses de cartas — ele de Paris, para onde fora fazer um curso de formação missionária, e eu de Lisboa, onde estava a estudar.
Passados dois anos, ele tinha decidido uma mudança radical (?) da sua vida — deixou a paróquia, arranjou trabalho em Lisboa, pediu a dispensa do voto de Celibato, que veio indeferido. Acordámos que o casamento seria um passo futuro e namorámos sete meses, o tempo que mediou entre um novo pedido a Roma e o sabermos que tinha ficado arquivado na gaveta do bispo do Porto. Casámos civilmente…
Aqui entrou a nossa COMUNIDADE CRISTÃ que, depois do casamento civil,
quis testemunhar esse outro Sinal/Sacramento a que chamamos Matrimónio que foi realizado “sem assentos”. Fizemo-los passados 25
anos.
Começava
a (A)ventura)… Não esperávamos uma vida fácil, mas queríamos uma vida simples,
na certeza de que a única VOCAÇÃO do Homem é ser Fecundo e ser Feliz, numa
vida cheia de FILHOS, IRMÃOS e AMIGOS gerados pelo AMOR, nascidos das mãos de
Deus para nós.
Começou
aí também, a nossa GRANDE experiência de Fé num Deus/PAI, cujo Amor só
pode ser maior que a lei ou o direito canónico… Um Deus que não faz leprosos
nem pega os filhos pelas orelhas para os pôr fora da Mesa do Banquete…
Concordo
com quem diz que o casamento é uma carta fechada. Todos os dias tem que ser
aberta de maneira nova. Ainda hoje, em cada primeiro abraço matinal, amanhece
connosco um QUERER, que tantas vezes ainda fazemos questão de verbalizar
(o amor é ridículo mesmo!) Quero amar-te hoje mais que ontem e menos
que amanhã…
Passaram
45 anos sobre o dia em que nos dissemos — QUERO SER contigo, num
querer cúmplice de trabalhadores do Reino. QUERO amar-te e,
contigo, Amar o que der e vier e quem vier. Sem medos nem reservas.
Passaram
dúvidas, dificuldades económicas (tantas!), doenças, mais graves e menos
graves. Vieram filhos, uns do sangue, outros do amor adoptivo. Nasceram rugas e
embranqueceram barbas... Fomos, somos e queremos continuar a ser gente feliz…
com lágrimas. E, que o nosso modo de viver e amar, seja evangelizador!
Muitas
vezes sentimos que falávamos chinês um com o outro…dissemos e fizemos coisas
que ofendem porque nada têm a ver com o Amor… MAS… uma coisa nunca deixámos que
acontecesse — fosse o sono a calar o perdão que nos devíamos… esse, nunca
ficou por pedir ou por dar… O Amor é coisa de QUERER e de FAZER, mas só quando nos sentimos inteiros, e o perdão
é a única cola que conhecemos capaz de consolidar os nossos cacos, por
mais estilhaçadas que as coisas às vezes estejam dentro de nós.
As
mãos dadas são a nossa imagem de marca… mas, isso não impede de sentir que
somos seres olhados e amados por Deus numa filiação que nos faz irmãos de
TANTOS a quem damos as 2 mãos que ficam livres...
Agora, vamos aceitando o desafio de continuar a viver a primeira lição de uma dança com acertos e desacertos, nunca isenta de calcadelas. Aprendemos a deixar-nos conduzir.
Agora, “o meu amado põe a mão esquerda
debaixo da minha cabeça e abraça-me com a direita” Ct.
Entretanto esperamos o dia em que, sem reservas nem frio, descalços
e nus, havemos de dançar, ajustados e vestidos pelo Amor do Pai.
...uma menina de 16 anos e o pároco da sua aldeia...
Este, já homem feito, conseguiu que a moçarada toda, fizesse com ele um só corpo apostólico… Foram 3 anos de muita cumplicidade na missão de evangelizar as gentes do meu Alentejo. Também de muitos livros lidos, trocados e conversados. De muitos horizontes abertos.
A certa altura, começámos 2 meses de cartas — ele de Paris, para onde fora fazer um curso de formação missionária, e eu de Lisboa, onde estava a estudar.
Passados dois anos, ele tinha decidido uma mudança radical (?) da sua vida — deixou a paróquia, arranjou trabalho em Lisboa, pediu a dispensa do voto de Celibato, que veio indeferido. Acordámos que o casamento seria um passo futuro e namorámos sete meses, o tempo que mediou entre um novo pedido a Roma e o sabermos que tinha ficado arquivado na gaveta do bispo do Porto. Casámos civilmente…
Agora, vamos aceitando o desafio de continuar a viver a primeira lição de uma dança com acertos e desacertos, nunca isenta de calcadelas. Aprendemos a deixar-nos conduzir.
Glória
(mulher do Carlos Figueiredo Reis, padre da
diocese do Porto dispensado das obrigações sacerdotais)

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