Sinto que tive a graça de crescer numa família cristã, numa
paróquia (Paróquia do Padrão da Légua) onde o anúncio da Palavra gerava vida,
vida comunitária e na liberdade dos filhos de Deus. Desde cedo percebi que o
“Batismo” recebido em criança tinha de ser assumido e vivido no dia-a-dia, como
filha muito amada e criada à imagem de Deus.
O Zé foi “estagiar” na minha Paróquia. Aí foi
ordenado presbítero, onde exerceu e viveu em equipa. Depois, em equipa com
outros 2 padres foi nomeado para outra zona pastoral. Estávamos em 1975…
Perante problemas surgidos, o Bispo decidiu acabar com a equipa. Entretanto,
tentou nomear o Zé “sozinho” para uma
outra paróquia, o que foi recusado. Perante esta recusa, o Bispo ameaçou suspendê-lo “a divinis”. Perante esta
ameaça, o Zé respondeu: “então considere-me,
desde já suspenso”.
Depois, entrou no mundo do trabalho. A amizade manteve-se e
entretanto, nele começou a surgir o amor por mim, o que da minha parte, demorou
mais tempo a ser correspondido, até que numa bela 2ª feira de Páscoa se fez
luz!
Assumimos esse Amor e viemos a casar civilmente um ano depois (Abril
de1980). Fizemos uma celebração, presidida por nós, com familiares e amigos, celebrando
o amor que nos unia, e, comprometendo-nos a viver unidos no corpo e no
espírito, cumprindo assim a nossa missão no mundo.
Ficámos a viver no Padrão da Légua, inseridos na Comunidade cristã
e comprometidos também na vida associativa, nomeadamente numa Associação de
Moradores.
Deste amor, nasceram dois filhos, tendo sido diagnosticada uma
doença neuromuscular progressiva ao nosso filho mais velho, quando ele tinha 4
anos de idade. Esta situação levou-nos a criar a APN- Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares juntamente com
outros doentes e familiares, assumindo a sua liderança, lutando não só pela
qualidade de vida do Pedro, mas de todos os “Pedros” deste país.
Entretanto, viemos viver para Fiães (terra natal do Zé), mas
acabamos por nos inserir na Paróquia ao lado (Lourosa — local onde o Zé também tinha
exercido como presbítero) depois de avaliarmos as melhores condições para a
educação da fé dos nossos filhos.
Em Abril de 2002 regularizamos a nossa situação canónica.
Após os 20 anos de luta na APN, fomos passando o testemunho a
outros e assim ficamos a ter disponibilidade para exercer outros serviços na
paróquia: membros da Comissão Permanente do Conselho Pastoral, Membro do
Serviço Sócio Caritativo, responsáveis pala Preparação do Batismo, leitores e
presidentes das Celebrações da Palavra…entre outros.
Como casal, temos vivido ao longo dos anos de uma forma intensa o nosso “Ministério Pastoral”, lançando sementes de esperança, de coragem e de amor na família, na humanização da sociedade e na Igreja. Vivemos em paz, sentimo-nos acolhidos e respeitados, sem nunca termos de fugir do local onde a vida nos aproximou, vivendo, testemunhando e celebrando a fé, na família, em Igreja e no mundo, fortalecidos pela comunidade de irmãos.
Acredito numa Igreja de Discípulos e Discípulas, aquela em que a
atitude fundante de todas as opções e escolhas é a escuta orante e sem
preconceitos da Palavra do Mestre, fonte permanente de Sabedoria, novidade e
apelos de mudança.
Acredito cada vez mais, numa Igreja, comunidade de comunidades, comunidade de batizados, homens e mulheres, comunidade de iguais, com carismas e ministérios vários ao serviço de todos. Ser casada com um padre, nunca foi problema para mim e defendo que o celibato deve ser opcional. Lamento, que a igreja hierárquica o exija, não reconhecendo esta igualdade a todos os filhos e filhas de Deus, criados à Sua imagem.
Como casal, temos vivido ao longo dos anos de uma forma intensa o nosso “Ministério Pastoral”, lançando sementes de esperança, de coragem e de amor na família, na humanização da sociedade e na Igreja. Vivemos em paz, sentimo-nos acolhidos e respeitados, sem nunca termos de fugir do local onde a vida nos aproximou, vivendo, testemunhando e celebrando a fé, na família, em Igreja e no mundo, fortalecidos pela comunidade de irmãos.
Acredito cada vez mais, numa Igreja, comunidade de comunidades, comunidade de batizados, homens e mulheres, comunidade de iguais, com carismas e ministérios vários ao serviço de todos. Ser casada com um padre, nunca foi problema para mim e defendo que o celibato deve ser opcional. Lamento, que a igreja hierárquica o exija, não reconhecendo esta igualdade a todos os filhos e filhas de Deus, criados à Sua imagem.
Maria da
Assunção
(casada com José Rodrigues, padre da diocese do Porto dispensado das obrigações sacerdotais)

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