«Na Páscoa, esperamos por mais: uma luz, uma resposta às perguntas que se acumularam dentro de nós neste ano»

Cada ano, como amigos, como cristãos, marcamos encontro pela Páscoa para trocarmos palavras e sentimentos de comunhão e encorajamento. Fazemo-lo, desta vez, depois de um ano vivido reféns da pandemia, ao sabor do isolamento, um tempo que custou a passar e pôs à prova a nossa esperança.
 
Há um ano, já tínhamos sido visitados pelo vírus e esperávamos que passasse depressa e que a nossa vida pudesse voltar ao seu normal. Tal não aconteceu e continuamos a esperar: o fim da pandemia, a vacina que nos resguarde e ajude a conviver com o vírus...
 
Como cristãos, na Páscoa esperamos por mais: uma luz, uma resposta às perguntas que se acumularam dentro de nós neste ano:

Como recuperar a capacidade de gostar do futuro, depois de este tempo em que vivemos prisioneiros, sem horizonte, e em que experimentámos o peso do quotidiano? 

Como acreditar que o melhor das nossas vidas está para vir e, pois que as forças nos faltam, nos será concedido como Dom?

 Como perceber que o futuro nos é dado como promessa no tempo presente, o único que temos para viver; e como viver em plenitude, em função de um destino futuro, de um desejo de felicidade, sempre insatisfeito?
 
A Páscoa de Jesus fala-nos de paixão. Encontramos as respostas que procuramos quando no meio da nossa paixão nos descobrimos capazes de amar e de nos deixarmos amar. O amor não nos poupa à paixão e ao sofrimento; pelo contrário, faz-nos mergulhar na vida, entrar em tudo o que ela nos traz, com corpo e alma.
 
A Páscoa de Jesus fala-nos de ressurreição. De um amor capaz de entrar em tudo para tudo transfigurar, de transformar a dor em beleza... de um Amor que é divino, à altura de Deus, capaz de experimentar Vida mesmo na morte, como foi o amor que Cristo viveu e comunicou na Sua Páscoa.
 
A nossa Páscoa faz memória e atualiza, na nossa vida, a paixão e ressurreição de Jesus: na sua essência, 
é passagem, de Jesus e nossa com Ele, da morte à Vida; das perdas e do sofrimento à Vida em plenitude. 

É passagem quotidiana, promessa de plenitude para quantos mergulham no mistério da Vida, abraçam o sofrimento que ela contém e se abrem ao Amor que a ressuscita e renova. 

Mais do que emoção, trata-se de uma ação, de uma postura de vida, de uma Fé no mistério de onde viemos e para o Qual caminhamos, que nos resgata cada dia para o sentido da vida.

P.e Manuel Augusto, MCCJ

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