Na vida, atravessamos períodos difíceis - como o momento presente de pandemia. São experiências de maior provação. Para resistirmos e, se necessário, recontruir-nos, precisamos de adquirir capacidade para nos recompor das diversas adversidades que vamos experimentando. Entramos aqui no campo da resiliência.
A resiliência é uma habilidade infinitamente útil para sobrevivermos e para nos conseguirmos levantar em cada contrariedade da vida. Porém, ela não nasce com cada um de nós da mesma forma. Ela é moldada por um conjunto de circunstâncias que vão desde a personalidade até às conexões sociais e familiares, passando pelo meio ambiente.
Definição de resiliência
A maioria de nós pensa na resiliência como a capacidade de dobrar, mas não quebrar; de recuperar-se e até mesmo crescer diante de experiências adversas de vida. A Associação Americana de Psicologia define a resiliência como «o processo de adaptação diante de adversidades, traumas, tragédias, ameaças ou até mesmo fontes significativas de stress».
Neste conceito, é importante especificar se estamos a falar de um traço de carácter, de um processo ou de um resultado. Devemos ainda ter em conta que a resiliência pode mudar ao longo do tempo em função do desenvolvimento pessoal e da interação com o meio ambiente.
Assim, é possível explicar a resiliência de forma muito simples:
«É capacidade de decidir e agir,
de forma saudável,
para seguir em frente
antes, durante ou após um evento adverso,
mantendo ou reaquirindo a sanidade e o bem-estar
individual, social e/ou do ambiente.»
A resiliência envolve uma decisão ativa, que deve ser frequentemente reconfirmada. Essa decisão é a de seguir em frente, apesar das adversidades vividas.
Construir resiliência
Na vida, a importância da resiliência mede-se pela força necessária que cada indivíduo desenvolve dentro de si para processar e superar as dificuldades.
Aqueles que não têm resiliência ficam facilmente sobrecarregados e podem recorrer a mecanismos insalubres de resolução de problemas: violência, dependência química, depressão, por exemplo.
Pessoas resilientes aproveitam os seus pontos fortes e fatores de suporte e alavanca para encarar desafios e superar problemas.
Devemos ainda destacar que não há uma fórmula universal para se tornar mais resiliente; que a resiliência não é uma característica fixa, mas flexibilidade, adaptabilidade e perseverança podem ajudar as pessoas a explorar a sua resistência mudando certos pensamentos e comportamentos; que todas as pessoas são diferentes e cada uma desenvolverá resiliência à sua maneira e no seu tempo; e que desenvolver resiliência envolve uma combinação de forças interiores e recursos externos.
Dicas para desenvolver a resiliência
A resiliência constrói-se à medida que as os seres humanos encontram desafios diários de todos os tipos, e em contrabalanço fazem uso de um conjunto de fatores como suporte para superar cada um desses desafios. Cada indivíduo processa traumas e adversidades de diferentes maneiras. Todavia, os fatores protetores ajudam a construir resiliência, melhorando as habilidades de enfrentamento e a adaptabilidade. Esses fatores incluem:
- Desenvolver o autoconhecimento, de modo a gerir as próprias emoções e desenvolver as habilidades de enfrentamento e adaptabilidade às adversidades.
- Amor-próprio: é fundamental ter um sentido positivo de autoconfiança (otimismo sem perder o realismo) para afastar sentimentos de desamparo quando somos confrontados com adversidades.
- Espiritualidade: Contar com Deus, um Poder Superior, cujas forças são superiores às nossas, que nos inspira e fortalece interiormente, que desperta em outros a vontade de nos auxiliar, quando a nós nem nos ocorreria solicitar a ajuda deles, conforta, consola, anima.
- Apoio social: conexões sociais que fornecem apoio em tempos de crise ou trauma sustentam a resiliência no indivíduo, com a noção de que juntos somos mais fortes; que partilhar e desabafar suavisa a dor e aumenta a esperança de sair vitoriosos dos problemas. O apoio social pode incluir familiares, a própria comunidade, amigos e organizações.
- Planeamento realista: a capacidade de fazer e realizar planos realistas ajuda a aumentar a concentração em objetivos alcançáveis.
- Não ter medo de enfrentar o problema: enfrentar as adversidades capacita com sabedoria que vai ajudar na resolução de problemas futuros.
- Habilidades de comunicação: ser capaz de se comunicar de forma clara e eficaz ajuda as pessoas a procurar apoio, mobilizar recursos e tomar medidas.
- Gestão Emocional: a capacidade de geriar emoções potencialmente avassaladoras (ou procurar ajuda para trabalhar através delas) ajuda as pessoas a manter o enfoque e a superar um desafio.
- Gerir o ambiente próximo em que o indivíduo se encontra de forma a promover fatores protetores e que permitam gerir o stress em que a pessoa se pode encontrar.

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