Que leitura faz da Carta
Apostólica Patris corde – Com coração de Pai? Que sinais dá o Papa Francisco
com este documento e esta proposição?
Leonardo Boff: Com o título «Pai de coração», o papa, de forma nova e criativa, quer evitar os tantos títulos que a tradição teológica deu a São José, nem todos muito dignos: pai putativo, pai nutrício, pai legal, pai matrimonial e outros. A expressão «Pai de coração» evita tudo isso e mostra que pelo coração e o amor a Maria e a Jesus ele se fez realmente pai assumindo todas as responsabilidades. Os evangelhos não o qualificam, apenas se referem com naturalidade a Jesus como “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 54-56; Jo, 6,41-42).
A Carta Apostólica Patris corde é um documento
relativamente curto, de cunho pastoral e espiritual.
Apresenta as virtudes de José em número de sete:
pai amável,
pai de ternura,
pai de obediência,
pai de acolhimento,
pai de coragem criativa,
pai trabalhador,
pai na sombra.
Se bem repararmos, são virtudes transculturais, estão presentes nas comunidades humanas, embora cada uma delas receba uma concretização própria. O papa comenta cada uma delas em termos existenciais e aplicando-as às famílias de hoje.
Vivemos numa sociedade sem pai ou do pai ausente. Francisco dá-se
conta da importância fundamental da figura do pai na construção da
personalidade dos filhos e das filhas, especialmente o respeito ao outro e o
sentido dos limites.
Leonardo Boff: Com o título «Pai de coração», o papa, de forma nova e criativa, quer evitar os tantos títulos que a tradição teológica deu a São José, nem todos muito dignos: pai putativo, pai nutrício, pai legal, pai matrimonial e outros. A expressão «Pai de coração» evita tudo isso e mostra que pelo coração e o amor a Maria e a Jesus ele se fez realmente pai assumindo todas as responsabilidades. Os evangelhos não o qualificam, apenas se referem com naturalidade a Jesus como “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 54-56; Jo, 6,41-42).
Apresenta as virtudes de José em número de sete:
pai amável,
pai de ternura,
pai de obediência,
pai de acolhimento,
pai de coragem criativa,
pai trabalhador,
pai na sombra.
Se bem repararmos, são virtudes transculturais, estão presentes nas comunidades humanas, embora cada uma delas receba uma concretização própria. O papa comenta cada uma delas em termos existenciais e aplicando-as às famílias de hoje.
Não há somente o aconchego caloroso da mãe. O
pai é responsável pela passagem do mundo dos outros, onde há diferenças, tem
que se respeitar certos limites e aprender a conviver pacificamente. Não é uma
tarefa fácil, mas imprescindível para não deixar marcas para sempre aos filhos
e filhas. Isso está nas entrelinhas da Exortação Patris corde. Neste
aspeto, não há maiores novidades teológicas, coisa que aparece melhor na Exortação
Apostólica Redemptoris Custos, de 15 de agosto de 1989, de São João
Paulo II. Faz aí uma afirmação arrojada no n.º 21, ao sustentar que a
paternidade humana de São José vem assumida no mistério da encarnação,
assinalando assim uma certa dimensão hipostática.
Leonardo Boff, padre casado, teólogo da Teologia da Libertação, escritor e professor brasileiro, em UNISINOS

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