Pelo segundo ano consecutivo. na Alemanha, o Dia Nacional da
Pregadora pressionou para que as mulheres católicas tenham permissão para fazer
as homilias durante a missa.
Delphine Nerbollier,
em La Croix International
O esforço pretende ser altamente simbólico. Ulrike
Göken-Huismann (na foto), uma teóloga de 59 anos e presidente da Associação de Mulheres
Católicas da Alemanha (KFD), pregou na missa do dia 17 de maio, na Igreja de
São Maximiliano, em Düsseldorf, no oeste da Alemanha.
Na realidade, ela faz as homilias regularmente nas
Celebrações da Palavra desde 1988, uma prática normal em todo o país.
Mas desta vez foi diferente. Pelo segundo ano consecutivo,
ela foi uma das 12 mulheres em 12 localidades que participaram dessa ação
nacional no dia 17 de maio chamada Dia da Pregadora.
«O nosso objetivo é deixar claro que as mulheres podem
pregar e fazer isso bem», disse Göken-Huismann, mãe de dois filhos. «A Igreja
está a perder muito por não permitir que nós façamos isso. Na verdade, é uma
oportunidade perdida! Há uma riqueza de talentos entre as mulheres que precisa de
ser aproveitada», insistiu ela.
«Os apóstolos não eram todos homens»
A Associação de Mulheres Católicas da Alemanha é uma das
duas federações de mulheres do país. Elas escolheram o dia 17 de maio para a
sua iniciativa por causa de Júnia, uma santa celebrada nesse dia pela Igreja
Ortodoxa. São Paulo menciona Júnia na Carta aos Romanos.
«Júnia foi definitivamente uma apóstola que, por muito
tempo, foi confundida com um homem», ressalta Göken-Huismann. «Felizmente,
graças às novas traduções, ficou claro que ela era uma mulher. Com o nosso
evento – 12 Mulheres, 12 Locais, 12 Homilias – queremos mostrar que nem todos
os apóstolos eram homens», acrescenta a teóloga.
Por meio dessa ação conjunta, à qual outras mulheres de toda
a Alemanha aderiram espontaneamente, as organizadoras esperam avançar no
Caminho Sinodal iniciado há um ano e meio.
«Esperamos que o Caminho Sinodal permita às mulheres pregar
oficialmente nas celebrações eucarísticas», argumenta Göken-Huismann.
Ela tem certeza de que «Roma não pode opor-se a isso».
Göken-Huismann está convencida de que as mulheres poderão ser
ordenadas presbíteras um dia, mas sabe que «o caminho será longo». «Estamos a dar
um passo de cada vez», diz.
«Fazer o que temos o direito de fazer»
Os bispos alemães, mais uma vez, não se opuseram à
iniciativa do dia 17 de maio.
Por sua vez, Clara Steinbrecher, do movimento conservador
Maria 1.0, afirmou que «a Igreja Católica não é uma estrutura na qual todos
podem desejar aquilo que quiserem».
A teóloga Göken-Huismann defendeu que «se trata de saber o
que temos o direito de fazer e o que não temos o direito de fazer», e
perguntou: «Como podemos explicar que as mulheres não têm direitos iguais na
Igreja Católica quando elas os têm na sociedade?»
«Essas várias ações refletem uma crescente insatisfação por
parte dos fiéis», disse Michael Seewald, que leciona teologia na Universidade
de Münster. «Esses movimentos de protesto são apoiados pela maioria dos
católicos do país. Os opositores têm muito bons contactos com Roma e estão a fazer
ouvir as suas vozes, mas são um grupo pequeno», observou.
Mudanças exigidas
Terão estas 12 pregadoras sucesso na promoção das mudanças? Michael
Seewald é ponderado: «Seria possível encontrar soluções a nível regional e
deixar espaço de manobra para essas questões», acredita ele. «Mas não sei se
Roma está pronta para isso. Roma olha para o Caminho Sinodal alemão com muito
ceticismo e enviou mensagens negativas sobre os quatro temas de discussão. É
difícil ser muito otimista», admite o professor de teologia.
Mas pregadoras como Ulrike Göken-Huismann permanecem
esperançosas e otimistas. O seu lema é «Fique na Igreja! Exija mudanças!».

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