«São José é o santo dos anónimos, dos trabalhadores e daqueles que assumem sua missão» – entrevista com Leonardo Boff (1)
O Papa Francisco convocou um
ano especial dedicado a São José (8 de dezembro de 2020 – 8 de dezembro de
2021). Como recebeu esta notícia e em quê São José pode inspirar-nos neste
momento de crises?
Leonordo Boff: Recebi com surpresa e alegria.
Surpresa porque o Magistério falou só tardiamente de São José. E com alegria,
porque sou devoto desse santo e dediquei-lhe muitos anos de pesquisa nos
melhores centros teológicos do mundo, até da Rússia e da China. Considero o meu
livro São José: a personificação do Pai (Petrópolis: Vozes, 2005) um dos
melhores e mais criativos que escrevi.
Ele é o santo dos anónimos, dos trabalhadores que falam com
as mãos, do silêncio operoso e da discrição. Dele não temos nenhuma palavra,
apenas sonhos. Hoje, a humanidade inteira está recolhida, ocasião para pensar
sobre o sentido da vida e da nossa relação com a Terra. São José é o santo da
família reunida, para proteger-se.
Nesse momento de crise, ele oferece-nos algumas virtudes bem
acentuadas pelo Papa Francisco, especialmente como «pai do acolhimento e pai da
coragem criativa», pois muitos estão desamparados e com grande abatimento.
Precisamos de pais que acolhem os desamparados e que tenham coragem para
iniciativas na sua rua e bairro para atender aqueles que não têm condições de
se defender, como ocorreu exemplarmente em muitos bairros.
Leonardo Boff, padre casado, teólogo da Teologia da
Libertação, escritor e professor brasileiro, em UNISINOS
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