Batismo do centurião Cornélio e de toda a sua família
A obra expressa visualmente uma teologia da substituição de tipo "económico" [o substitucionismo económico diz que o desígnio de Deus na história da salvação prevê a passagem de Israel, grupo delimitado etnicamente, para a Igreja, grupo universal e inclusivo definido em base espiritual. Geralmente, o primeiro exemplo dessa visão costuma ser atribuída a Melitão de Sardi]. Uma "economia" (a do Antigo Testamento) terminou porque outra (a do Novo) começou. Aqueles que permaneceram apegados à fase anterior (a Sinagoga) são atingidos no coração [afirmar que os judeus sempre ficaram no Antigo Testamento é uma modalidade típica em que se apresenta o antijudaísmo cristão].
Batismo nova circuncisão? Se o corte na carne é um sinal da aliança (cf. Gn 17, 9-14), a água não poderia apresentar-se como sinal da nova aliança? Um trecho da carta aos Colossenses (cf. 2, 11) fala da circuncisão de Cristo realizada por meio do despojamento, não realizado por mãos humanas, do corpo da carne. Trata-se evidentemente de uma retomada cristológica do tema da "circuncisão do coração" presente em Deuteronómio (10, 16 e sobretudo 30, 6) e em Jeremias (4, 4).
Em Colossenses não há referência ao batismo como uma nova circuncisão que substitui a anterior. O "despojamento do corpo da carne" em Cristo (isto é, tornar-se nova criatura), porém, diz respeito a todos os crentes, sejam homens ou mulheres.
O mesmo se aplicou ao rito do batismo que, desde o início, era administrado tanto a homens como a mulheres.
Os Evangelhos falam do batismo de João; a este respeito, não é explicitamente declarado que tenha sido administrado apenas a homens; pelo contrário, a sua dimensão coletiva – «vieram a ele de toda a Judeia e todos os habitantes de Jerusalém» (Mc 1, 5) sugere que também as mulheres estivessem presentes.
Piero Stefani,
filósofo, biblista, especialista em
judaísmo e diálogo judaico-cristão,

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