Estamos a viver uma
mudança de época, que não só vai gerando templos vazios, mas almas vazias. Qual
é a sua reflexão acerca desta realidade?
Primeiro, é preciso definir um pouco em que consiste a mudança de época, porque há dois campos distintos. Por um lado, a sociedade passou de uma sociedade mais religiosa a uma sociedade mais secular, mais laica. Com isso, há o perigo de, em vez da laicidade, cairmos em um laicismo. Isso é inegável.
Por outro lado, independentemente de qualquer coisa, parece-me que a Igreja entrou numa crise séria, ao menos no que era o ocidente cristão. Isso não me perturba muito, porque, assim como muitas outras crises, pode servir para passar da quantidade à qualidade.
Quando eu era menino [tem 84 anos], toda a minha sociedade [de Valência, Espanha] era católica, toda a gente era cristã. Era uma religiosidade imposta, que a alguns pôde ajudar, e a muitos afastou. Agora, apesar da má imagem que a comunicação social apresenta da Igreja e com os pecados da Igreja, há jovens cristãos que são muito mais cristãos do que eu era quando tinha a sua idade.
Acredito que o Espírito pode conduzir-nos a isto: passar de um cristianismo de quantidade a um cristianismo de qualidade. Isso seria a primeira coisa.
A segunda coisa, que pode ser preocupante, é que a crise é sobretudo típica do que era ou do que podemos chamar ocidente cristão. No oriente, o cristianismo não está em crise. O que quero dizer com isto? A crise da Europa pode favorecer o crescimento do cristianismo na Ásia e na África, que será muito bom, mas o cristianismo ocidental adquiriu os direitos humanos e o sentido social, que possivelmente não estão bem desenvolvidos nestas igrejas que vêm do oriente, não estão tão desenvolvidos, nem são tão importantes para elas.
Por isso, passar da quantidade à qualidade implica ver também como transmitimos aquilo que para mim parece ser grandes valores, adquiridos graças ao progresso da Igreja, à modernidade e a muitas coisas que foram sendo recuperadas, que podem ser simbolizadas no sentido social do Papa Francisco.
E sobre as
consequências espirituais desta mudança de época?
Gostei da sua expressão «templos vazios e almas vazias». Os templos estão vazios, em parte, por nossa culpa. Quando eu era jovem e, aos domingos, precisava de estar em Sevilha, Madrid, Zaragoza…, ia até uma igreja qualquer e participava na missa ali. E muitas vezes saí a pensar: «Que paciência têm esses cristãos que suportam estas homilias.»
Mas, assim como os templos vazios podem ser culpa nossa, as almas vazias são culpa desta sociedade. E isso parece-me muito importante. A sociedade de consumo que criamos não oferece outro objetivo para a vida a não ser consumir.
Algumas vezes, parodiei Santo Inácio de Loyola, que disse: «O homem foi criado para louvar e servir a Deus.» A sociedade de hoje diz: «O homem foi criado para consumir e que, dessa maneira, seja apreciado pelos outros.»
Chega um momento no ocidente em que o consumo já não satisfaz. Deixa a alma vazia. E isso é o que provoca tantas buscas, infelizmente, equivocadas ou perdidas, que busquem (espiritualidade) no oriente, o radicalismo como o Jihad ou coisas desse género, que conquistam porque oferecem um objetivo para viver. A sociedade de consumo não oferece nenhum objetivo.
Primeiro, é preciso definir um pouco em que consiste a mudança de época, porque há dois campos distintos. Por um lado, a sociedade passou de uma sociedade mais religiosa a uma sociedade mais secular, mais laica. Com isso, há o perigo de, em vez da laicidade, cairmos em um laicismo. Isso é inegável.
Por outro lado, independentemente de qualquer coisa, parece-me que a Igreja entrou numa crise séria, ao menos no que era o ocidente cristão. Isso não me perturba muito, porque, assim como muitas outras crises, pode servir para passar da quantidade à qualidade.
Quando eu era menino [tem 84 anos], toda a minha sociedade [de Valência, Espanha] era católica, toda a gente era cristã. Era uma religiosidade imposta, que a alguns pôde ajudar, e a muitos afastou. Agora, apesar da má imagem que a comunicação social apresenta da Igreja e com os pecados da Igreja, há jovens cristãos que são muito mais cristãos do que eu era quando tinha a sua idade.
Acredito que o Espírito pode conduzir-nos a isto: passar de um cristianismo de quantidade a um cristianismo de qualidade. Isso seria a primeira coisa.
A segunda coisa, que pode ser preocupante, é que a crise é sobretudo típica do que era ou do que podemos chamar ocidente cristão. No oriente, o cristianismo não está em crise. O que quero dizer com isto? A crise da Europa pode favorecer o crescimento do cristianismo na Ásia e na África, que será muito bom, mas o cristianismo ocidental adquiriu os direitos humanos e o sentido social, que possivelmente não estão bem desenvolvidos nestas igrejas que vêm do oriente, não estão tão desenvolvidos, nem são tão importantes para elas.
Por isso, passar da quantidade à qualidade implica ver também como transmitimos aquilo que para mim parece ser grandes valores, adquiridos graças ao progresso da Igreja, à modernidade e a muitas coisas que foram sendo recuperadas, que podem ser simbolizadas no sentido social do Papa Francisco.
Gostei da sua expressão «templos vazios e almas vazias». Os templos estão vazios, em parte, por nossa culpa. Quando eu era jovem e, aos domingos, precisava de estar em Sevilha, Madrid, Zaragoza…, ia até uma igreja qualquer e participava na missa ali. E muitas vezes saí a pensar: «Que paciência têm esses cristãos que suportam estas homilias.»
Mas, assim como os templos vazios podem ser culpa nossa, as almas vazias são culpa desta sociedade. E isso parece-me muito importante. A sociedade de consumo que criamos não oferece outro objetivo para a vida a não ser consumir.
Algumas vezes, parodiei Santo Inácio de Loyola, que disse: «O homem foi criado para louvar e servir a Deus.» A sociedade de hoje diz: «O homem foi criado para consumir e que, dessa maneira, seja apreciado pelos outros.»
Chega um momento no ocidente em que o consumo já não satisfaz. Deixa a alma vazia. E isso é o que provoca tantas buscas, infelizmente, equivocadas ou perdidas, que busquem (espiritualidade) no oriente, o radicalismo como o Jihad ou coisas desse género, que conquistam porque oferecem um objetivo para viver. A sociedade de consumo não oferece nenhum objetivo.

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