O Papa Francisco, na Evangelii gaudium, afirma que há um predomínio da sacramentalização sobre as outras formas de evangelização: «Em muitas partes, predomina o aspecto administrativo sobre o pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização» (EG 63).
Nestes tempos, a pandemia mostrou um renascimento da igreja doméstica. Nasceram experiências interessantes de oração em família, liturgias da Palavra celebradas nas casas, celebrações domésticas preparadas e vividas com simplicidade e familiaridade. Uma Igreja quem tem em seu centro os batizados, que vive onde as pessoas vivem, ou seja, nas casas.
Mas também há uma fotografia preocupante: é a relativa às iniciativas pastorais e à liturgia que muitas vezes as implementou. O sofrimento causado pelo jejum eucarístico gerou iniciativas que às vezes resultaram na espetacularização litúrgica e ao risco de um clericalismo de retorno, que coloca novamente e apenas o sacerdote no centro da cena. De forma mais geral, voltou a visão de fundo que subjaz a boa parte da nossa ação pastoral: a sacramentalização da vida de fé e da prática eclesial. Cobrimos a ânsia do vazio com uma série de missas em streaming nas quais — como Andrea Grillo lembrou — o padre fez a Páscoa e os outros assistiram do sofá de casa. Nesse contexto, o povo de Deus é considerado supérfluo. E a missa volta a ser perigosamente entendida como um ato de culto individual e privado.
Então, como seremos depois da pandemia? Que igreja? Se simplesmente retomarmos a "celebração da missa" e a nossa pastoral voltar a ser apenas isso, teremos desperdiçado a crise. Em vez disso, somos chamados a um imaginário pastoral, que tem no centro o povo de Deus e que procura caminhos e instrumentos para revigorar as formas da proclamação e da evangelização, para viver e oferecer momentos de oração e de debate sobre a palavra de Deus, para criar oportunidades de sustentação para a fé nas casas. O desafio, ao que parece, apenas começou.
Presbítero Francesco Cosentino, em Vita Pastorale, 08-2021
Recomenda-se vivamente a leitura deste texto:
Como imaginar a comunidade cristã do futuro?
«A paróquia do amanhã deverá ser uma coletividade de pessoas que colocam a própria vida no centro e não a pertença cristã. A vida é o verdadeiro campo onde o Semeador atua, uma vida feita de alegrias e de dores, de escolhas e de fracassos. A vida é a verdadeira academia dos homens!», escreve Gigi Maistrello, presbítero da diocese de Vicenza (Itália), neste artigo publicado por Settimana News, 01-08-2021: Qual o futuro para as comunidades cristãs? A tradução é de Luisa Rabolini

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