Partir, repartir e partilhar (fazer comunhão) são os três verbos de Jesus Cristo na Eucaristia

Disse Jesus à multidão (para quem ele tinha multiplicado os pães e os peixes): «Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo» (Evangelho segundo São João 6, 41-51).
 
Jesus é “pão”, a sua vida é alimento, é comunhão que nós partilhamos e oferecemos, uns aos outros, sendo, dessa forma, Eucaristia.
 
Este evangelho da comunhão, segundo o livro de João, começou em Cafarnaum (Jo 6, 1), onde Jesus se definiu como Eucaristia, pão partido e partilhado, comunicação de Vida, junto ao mar da Galileia.
 
Os verbos que caracterizam a ação de Jesus
Partir, repartir e partilhar são os três verbos de Jesus na Eucaristia, em que se faz pão para a vida do mundo. Os três verbos supõem uma ação que uma mesma pessoa pode realizar, mas com matizes diferentes:

Partir é tomar um todo e fazê-lo em pedaços.

Repartir é tomar os pedaços e distribuí-los aos outros, sem maiores implicações no ato de distribuir.

Partilhar, no entanto, supõe que a pessoa que parte e reparte, desfruta conjuntamente com as outras pessoas do bem repartido.
 
Se a primeira ação, partir, pode tornar-se um gesto egoísta, o momento do repartir pode ser um gesto generoso. O que está claro é que o terceiro momento, o partilhar, é um gesto de fraternidade, de respeito para com os outros, um gesto de amor e proximidade.
 
Partilhar é algo mais do que estar juntos, pois é possível estar juntos sem estar unidos ou com sentimentos opostos. Partilhar é ter uma só alma e um só coração e, como consequência, viver na alegria de ter tudo em comum, de forma que a ninguém lhe falte o necessário.
 
Quando o pão se reparte, todos comem. E quando o pão é partilhado, além de todos comerem, vive-se na alegria, ativada pela mesa onde é ativada este gesto oblativo. 
 
Este tríplice gesto foi realizado por Jesus na cena da multiplicação dos pães e peixes; Ele tomou os pães, deu graças, partiu-os, repartiu-os e partilhou-os com todos. Juntos comeram festivamente os mesmos pães e os mesmos peixes.
 
Neste gesto de partir, repartir e partilhar o pão, Jesus estava a apontar para uma realidade muito mais profunda e vital, pois no pão era o mesmo Jesus que se partia, se repartia e finalmente se entregava aos seus, partilhando a sua própria vida e unindo sua vida com a de seus seguidores (as).
 
Jesus não partilha só o que tem, não partilha só pão; Jesus entrega-se a si mesmo, partilhando a sua vida para ativar a vida atrofiada em muitas pessoas. Aqui revela-se o pleno sentido desta forte expressão de Jesus: «Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.»
 
Só vidas partilhadas são capazes de despertar um movimento vital, onde aquilo que é mais nobre e humano, que está escondido no mais profundo de cada um, se visibiliza em gestos de proximidade, acolhimento, serviço..., reforçando os vínculos e a comum união entre todos.
 
Vidas partilhadas conectam vidas diferentes, possibilitam a realização do sonho do Pai: a unidade na diversidade.

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