O maior desafio da Igreja Católica atualmente é a
indiferença religiosa da maioria da sociedade, diz o Papa Francisco, dizem
teólogos, bispos, padres, catequistas, pais... Não é tanto um fenómeno de
ateísmo (não acreditar na existência de Deus), nem sequer de agnosticismo (são ser
capaz de explicar com a razão a existência e necessidade de um Deus). O que
melhor define a postura de muitos é a indiferença religiosa: já não inquietude
religiosa, não há sequer perguntas. Deus não interessa. As pessoas vivem
despreocupadas, sem nostalgias nem horizonte religioso algum.
Há diversos tipos de indiferença. Algumas pessoas vivem um
distanciamento progressivo. São pessoas que vão se distanciando cada vez mais
da fé, até cortar laços com o religioso. Os seus pais ainda participaram na
Igreja e eles, uma ou outra vez, ainda os acompanharam. Quando tiveram filhos,
chegaram, até, a inscrevê-los na catequese e estes fizeram a primeira comunhão,
abandonando de seguida, ou, no máximo, receberam o crisma. Mas eles afastaram-se
da prática religiosa. Então, pouco a pouco, também Deus se foi apagando nas
suas consciências. Estas pessoas podem viver simplesmente absorvidas pelas
coisas de cada dia, e, ou nunca se interessaram muito por Deus, ou até pensam
Nele, mas não têm vida comunitária da religião.
Em outras pessoas, a indiferença é fruto de um conflito
religioso. Ou porque lhes incutiram medos de Deus; ou passaram por experiências
frustrantes na catequese, em grupo ou na Igreja, e guardam más recordações do
que viveram quando crianças ou adolescentes; ou porque a ideia que têm de Deus
e de si mesmos são suporta os escândalos protagonizados por membros da Igreja.
A indiferença de outros resulta de circunstâncias diversas:
saíram da sua terra natal e hoje vivem de maneira diferente num ambiente
urbano; casaram-se com alguém pouco sensível ao religioso e mudaram de
costumes; separaram-se do seu primeiro cônjuge e vivem numa situação de casal «não
abençoado» pela Igreja. Estas pessoas, em si, não tomaram a decisão de
abandonar Deus, mas, de facto, as suas vidas vão-se distanciando Dele.
Há ainda outro tipo de indiferença encoberta pela piedade
religiosa. É a indiferença dos que se acostumaram a viver a religião como uma «prática
externa» ou uma «tradição rotineira».
Como evangelizar os indiferentes? Pelo testemunho de vida,
usando os dons que Deus concedeu, como exorta a Carta aos Romanos no capítulo
12: «Como num só corpo, temos muitos membros, mas os membros não têm todos a
mesma função, assim acontece connosco: os muitos que somos formamos um só corpo
em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros.
Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da
profecia, que seja usado em sintonia com a fé; se é o do serviço, que seja
usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; se outro tem o de
exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem
preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com
alegria.» E assim se contribui para desenvolver uma cultura diversa da
dominante.
José Antonio Pagola, em Unisinos, e Fernando Félix

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