São grandes, ainda que não o saibam: pessoas simples e boas que só sabem viver dando uma mão e fazendo o bem
«Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: "Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos."» (Mc 10, 42-45)
São grandes, ainda que não o saibam
Nunca veem o seu nome nos jornais.
Ninguém lhes cede a passagem em nenhum lugar.
Não têm títulos nem contas correntes invejáveis,
mas são grandes.
Não possuem muitas riquezas,
mas têm algo que não se pode comprar com dinheiro: bondade,
capacidade de acolhimento, ternura e compaixão para com o necessitado.
Homens e mulheres comuns, pessoas vulgares que ninguém
valoriza, mas que passam a vida empregando amor e afeição à sua volta. Pessoas simples e boas que só sabem viver dando uma mão e fazendo o bem.
Pessoas que não conhecem o orgulho nem têm grandes
pretensões.
Homens e mulheres que se encontram no momento oportuno,
quando se precisa da palavra de ânimo, do olhar cordial, da mão próxima.
Pais simples e bons que disponibilizam tempo para escutar os
seus filhos pequenos, responder às suas infinitas perguntas, desfrutar com os
seus jogos e a descobrir de novo junto deles o melhor da vida.
Mães incansáveis que enchem a casa de calor e alegria.
Mulheres que não têm preço, pois sabem dar aos seus filhos o que mais
necessitam para enfrentar-se confiadamente o seu futuro.
Esposos que vão amadurecendo o seu amor dia a dia,
aprendendo a ceder, cuidando generosamente da felicidade do outro, perdoando-se
mutuamente nos mil pequenos atritos da vida.
Estas pessoas desconhecidas são as que tornam o mundo mais
habitável e a vida mais humana. Eles põem um ar limpo e respirável na nossa
sociedade.
Deles, disse Jesus, que são grandes porque vivem ao serviço
dos outros.
Eles próprios não o sabem, mas graças às suas vidas, abrem
caminho nas nossas ruas e casas, a energia mais antiga e genuína: a energia do
amor.
No deserto deste mundo, por vezes tão inóspito, onde só
parece crescer a rivalidade e o confronto, eles são pequenos oásis em que brota
a amizade, a confiança e a ajuda mútua.
Não se perdem em discursos e teorias. O seu plano é amar em
silêncio e prestar ajuda a quem dela necessite.
É possível que ninguém nunca lhes agradeça nada.
Provavelmente não lhes farão grandes homenagens.
Mas estes homens e mulheres são grandes porque são humanos.
Aí está a sua grandeza.
Eles são os melhores seguidores de Jesus, pois vivem
fazendo um mundo mais digno, como Ele. Sem o saber, estão a abrir caminhos ao
reino de Deus.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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